Telemedicina é impulsionada devido às medidas de isolamento social

Nesse momento, a necessidade do distanciamento social deu um impulso forte na chamada telemedicina. Logo após os primeiros casos da Covid-19 no Brasil, o Ministério da Saúde autorizou o uso temporário da telemedicina no país. A autorização vale enquanto durar a pandemia e serve para atendimento clínico, consultas, diagnósticos e acompanhamento de pacientes. O Conselho Federal de Medicina acredita que o novo tipo de atendimento não vai substituir o modelo tradicional de consulta e alerta que é importante levantar informações sobre o profissional.

A startup Conexa faz parte do seleto grupo de empresas que cresceram em meio à pandemia de covid-19. Há três anos no mercado, oferece serviços de telemedicina para operadoras de saúde, hospitais e clínicas. Antes da atual crise global, atendia em média 50 pacientes por dia. Agora são 15.000. Desde janeiro, a Conexa fez 1 milhão de consultas, enquanto a população usuária de telemedicina subiu de 150.000 para 3,5 milhões no país.

A pandemia colocou uma lupa sobre os desperdícios na cadeia de saúde brasileira, um problema antigo. De acordo com um estudo recente realizado pela plataforma de gestão de saúde DRG Brasil com 1,8 milhão de diárias hospitalares de mais de 500.000 pacientes, 37,7% das internações poderiam ter sido evitadas, por exemplo. A grande aposta que vem chacoalhando o setor é a de que a crise causada pela pandemia vai impulsionar os serviços de saúde digital, levando a uma significativa redução de custos e à ampliação do acesso da população. 

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O maior obstáculo à modernização no Brasil foi removido pela covid-19, mesmo que temporariamente. Até abril, a regulamentação para a telemedicina determinava que o atendimento poderia ocorrer somente com um médico nas duas pontas. A chamada interconsulta é útil para os casos em que o paciente está com um clínico-geral e, durante o atendimento, busca a orientação remota de um especialista. Com o isolamento social, o Congresso Nacional liberou a telemedicina para consultas diretas entre paciente e médico. Operadoras de planos de saúde, laboratórios e clínicas correram para oferecer a modalidade. De lá para cá, pelo menos 1,7 milhão de atendimentos já foram realizados, de acordo com dados compilados pela EXAME.

O movimento pode modificar o mercado de forma permanente. Inicialmente usado para orientar pacientes com suspeita de contaminação pela covid-19, o recurso logo se estendeu a consultas agendadas e atendimentos de urgência. Pacientes que antes procurariam um pronto-socorro por causa de uma gripe passaram a pensar duas vezes antes de sair de casa.

A disseminação da telemedi­cina também encurta as distân­cias. O programa de telemedi­ci­na do hospital paulistano Albert Einstein já realizou mais de 270.000 atendimentos desde 2012 — cerca de 100.000 somente neste ano. No início do mês, o hospital ampliou sua parceria com o Ministério da Saúde na Região Norte para levar atendimento remoto a comunidades indígenas do distrito de Iauaretê, no Alto Rio Negro, Amazonas. Estão incluídas especialidades como cardiologia e psiquiatria. Outro acordo com o governo possibilita que 20.000 médicos e enfermeiros do Sistema Único de Saúde atendam remotamente com a plataforma do hospital.

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