Startups brasileiras usam inteligência artificial para diagnosticar Covid-19

Muitas startups brasileiras estão apostando na Inteligência Artificial para o enfrentamento da covid-19. Em julho, um dital lançado pelo governo do estado de São Paulo, por meio do programa IdeiaGov, abriu uma chamada pública para selecionar soluções tecnológicas que usassem algoritmos de inteligência artificial, capazes de ajudar médicos no diagnóstico de coronavírus a partir de exames de raio-x e tomografia computadorizada.

O desafio, que contou com 21 inscritos, selecionou três startups, que terão suas propostas validadas no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Após esse período, que deve levar até oito semanas, as soluções podem ser adotadas pelo estado. Segundo o governo do estado de São Paulo, hoje, a única solução deste tipo no mundo disponível comercialmente está na China.

Na prática, a inteligência artificial permite que máquinas possam aprender a raciocinar de maneira similar à dos humanos. Foi a partir dessa possibilidade que as startups envolvidas no IdeiaGov trabalharam. Elas desenvolveram redes neurais convolucionais e as treinaram com imagens de pulmões com Covid-19 e sem a doença, de forma que o sistema elaborado pudesse aprender a diagnosticar o paciente em menos de um minuto. Os proponentes poderiam apresentar soluções voltadas à leitura de raio-x e tomografia ou de apenas um dos tipos de exame.

A NeuralMind, que participou da seleção por meio de um consórcio com o Laboratório de Computação de Imagens Médicas da Faculdade de Engenharia Elétrica e Computação (MICLab FEEC), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ficou em primeiro lugar na avaliação para aplicação em raio-x de tórax e tomografia. Nos dois casos, são usadas redes neurais convolucionais, algoritmos de Deep Learning que captam imagens de entrada e atribuem a elas pesos e vieses apreendidos. Os pesquisadores também conseguiram converter imagens tomográficas em imagens semelhantes às de raio-x, a fim de facilitar o uso da mesma rede neural.

A solução pode ser empregada no diagnóstico e, também, no prognóstico de pacientes já diagnosticados com a doença. A NeuralMind funciona dentro do Parque Científico e Tecnológico da Unicamp, envolvendo oito pessoas. A equipe já estava estudando a aplicabilidade de inteligência artificial em diagnósticos por raio-x e tomografia desde o surgimento do coronavírus.

Já a startup Otawa Health desenvolve tecnologia envolvendo IA na área de oncologia desde 2016 e começou neste ano a pesquisar formas de aplicar a ferramenta no diagnóstico de Covid-19. Cinco profissionais estão envolvidos no produto. A solução proposta pela Otawa Health prevê a classificação das imagens de raio-x sejam processadas em três níveis de probabilidade de Covid-19 – baixa, média e alta. Um aplicativo foi desenvolvido em português, espanhol e inglês para ajudar os profissionais. Os médicos podem enviar a imagem de raio-x de seus pacientes para o servidor tanto pelo celular, por foto, ou por conexão com equipamentos hospitalares.

A startup Visibilia, de São Carlos, foi aprovada com uma solução voltada à tomografia computadorizada, a FADCIL. O sistema também identifica automaticamente casos de coronavírus em imagens médicas, por meio de Deep Learning e de acordo com a variabilidade anatômica dos pacientes.

Composta por seis pesquisadores associados, a empresa está no mercado desde 2017 com soluções aplicadas ao mundo dos negócios. O projeto da FADCIL tem como líder o pesquisador doutor Gabriel Humpire, profissional com experiência em análise e processamento de imagens médicas, em especial, tomografias computadorizadas para detecção automática de doenças como câncer.

O produto da Visibilia faz integração com a ferramenta PACS, já utilizada em clínicas e hospitais para arquivamento de imagens, e que pode ser conectada diretamente a tomógrafos e máquinas de raios-x. Há ainda a possibilidade de desenvolvimento de uma interface web que permita ao médico fazer o upload direto das imagens ao servidor da FADCIL na nuvem. O servidor da FADCIL geraria esse diagnóstico e o entregaria ao médico.

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