Pressa e falta de foco atrapalham rota de inovação de empresas tradicionais

No meio de uma avalanche de tecnologias disruptivas, grandes empresas, de segmentos consolidados, se encontram pressionadas a inovar seus processos. Já sentem a ameaça do avanço de startups que, com modelos mais enxutos de negócios, vem abocanhando fatias consideráveis de mercado. Porém, tentar a todo custo mudar uma cultura raiz não é a melhor escolha. A rota precisa ser bem pensada, o que não impede de que ela seja acelerada.

A conclusão é de Alex Comninos, CEO para a América Latina da Founders Intelligence, consultora inglesa de estratégia digital. Em entrevista para a Época Negócios, o executivo analisou o que tem visto de estratégias corporativas para inserção no mundo disruptivo. A maioria, segundo ele, não tem alcançado resultados concretos. Apenas pequenos ganhos de eficiência em uma produção ou outra. As empresas acabam se associando aos novos agentes, mas sem, de fato, mudar as ideias já internalizadas.

“Elas estão mais focadas em definir os desafios e encontrar startups que possam resolvê-los. O problema com essa abordagem é que você encontra soluções para problemas que a companhia já conhece”, explica Comninos. “Dessa forma, torna seus processos 10% mais eficientes, mas esse é apenas um ganho incremental. Acreditamos que uma transformação digital real deve ser maior, estratégica”.

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Parceria com startups

Ainda sobre a relação com as startups, Comninos pondera sobre os projetos de aceleração e incubação, por vezes patrocinados por grupos empresariais. “Se a estratégia é incentivar uma mudança de cultura, ou trabalhar para que a marca seja vista como mais digital e mais inovadora, que são coisas muito valiosas, pode valer a pena, porque o investimento nesses programas é relativamente pequeno”, diz. “Agora, se o objetivo da empresa é se reinventar, talvez não funcione tão bem”.

A solução definitiva para uma boa inserção digital passaria pelo entendimento das motivações dessas grandes companhias. “Quando falamos com nossos clientes pela primeira vez, perguntamos o que eles estão querendo alcançar, e por que nos procuraram. Muitas vezes, eles não sabem como responder a essas perguntas”. Com as respostas mais claras, a Founders Intelligence parte em busca de agentes e tecnologias capazes de ajudar a cumprir os objetivos.

Comninos também respondeu sobre o Brasil, onde trabalha desde 2017. Segundo ele, o ecossistema de inovação por aqui está forte, sobretudo com a chegada de novos investidores. “Há dois ou três anos, os investimentos estavam focados em estágios mais iniciais, de capital semente até a série A. Mas os empreendedores precisam de séries B, C, D para continuar expandindo seus negócios. A entrada do SoftBank também estimula os investimentos nesses estágios mais iniciais”.

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