Dicas para melhorar a inovação de grandes empresas

Em um cenário marcado pela quarta revolução industrial, as grandes empresas precisam se dar conta de que não cabe mais a pergunta “é preciso inovar?” e sim “como inovar?” e “com que rapidez?”. Duelos recentes, como os da Kodak x Instagram, Táxi x Uber, Hotéis x Airbnb, evidenciam que a gestão da inovação deixou de ser um diferencial competitivo e se tornou uma questão de sobrevivência.

O mercado hoje é marcado pelo tempo exponencial, que também poderia ser chamado de ritmo de startup. Desde o ano 2000, mais de 52% das empresas do ranking Global Fortune 500, da revista Forbes – com as quinhentas maiores corporações do mundo, de acordo com a receita – foram “substituídas” por startups que trazem a inovação como estratégia principal.

Dessa forma, se você almeja modificar o status de sua empresa em relação à inovação algumas práticas de inovação aberta (iniciativas que buscam obter resultado inovadores por meio de parcerias) podem ser úteis.

Além disso, a atenção a três erros comuns nesse processo pode fazer a diferença, são eles: ausência de cultura inovadora; falta de procedimentos definidos para a inovação; e enxergá-la como um resultado, quando ela é um processo.

Cultura de inovação

Não é à toa que a Tesla, a Amazon e a Google, são exemplos de inovação, afinal, ela é parte do DNA dessas corporações, sendo constituinte da cultura delas desde sua fundação. Enquanto isso, muitas empresas acreditam que montar um “Lab” ou um programa de aceleração é o suficiente para serem inovadoras. Quando, na verdade, a iniciativa mais importante é a conscientização de que cada profissional, seja ele diretor ou estagiário, deve ter a possibilidade de desenvolver e comunicar novas ideias. Afinal é papel da área de inovação criar oportunidades para encorajamento e engajamento dos funcionários desafiarem o status quo (ou o estado atual das coisas).

Outro ponto importante é incentivar o perfil empreendedor dos colaboradores – ter políticas de incentivo ao intraempreendedorismo (modalidade de empreendedorismo no qual funcionários têm autonomia para movimentar e propor ideias) é essencial para que as ideias propostas não fiquem apenas no papel. Esse segmento deve ter tempo, ferramentas e capacitação para se dedicar ao desenvolvimento do que foi proposto. 

Além disso é preciso criar oportunidades para o engajamento dos dirigentes envolvendo-os em avaliações de ideias, seleção, orientação e apadrinhamento de iniciativas. Sendo importante relatar regularmente histórias de sucesso, que são a demonstração dos resultados.

Processos definidos para inovação

Mesmo as empresas mais inovadoras precisam de planejamento e processos para transformar ideias ambiciosas em realidade. Por isso, ao criar um plano de inovação, é essencial levar em consideração a forma como os profissionais serão envolvidos para transformar o valor de uma ideia em um produto ou serviço, como serão demonstrados os resultados e de que forma garantir reconhecimento e fomentar a participação dos colaboradores sobre a importância das medidas aplicadas.

Devem ser construídos processos que visem: influenciar os profissionais para a inovação por algum gatilho (como incentivos, por exemplo); facilitar e motivar a ação de construir um projeto a partir da ideia ou dor (necessidade) identificada; reconhecer e recompensar a execução do processo de inovação; incentivar o investimento de tempo e trabalho no desenvolvimento do projeto.

Também é necessário criar processos para avaliar o andamento das operações feitas visando a inovação. O objetivo é gerar feedbacks sobre os resultados, que funcionariam como forma de orientar o que pode melhorar e o que têm dado resultados. Além disso, deve-se zelar pelo alinhamento constante entre a inovação dos produtos e dos sistemas internos como diferencial competitivo da empresa no mercado.

Por fim, é importante preparar um processo de integração entre áreas transversais (suprimentos, jurídico, comunicação e aquisições), definindo prazos e deveres para cada uma. Isso permitirá que você se mova mais rápido e com mais confiança quando encontrar a ideia certa para implementar. Velocidade e simplicidade são premissas de projetos inovadores e lentidão e burocracia podem inviabilizar a inovação.

Inovação como processo:

Existem duas tendências que podem ser fatais na inovação, querer aperfeiçoar um projeto antes de mostrá-lo a qualquer pessoa de fora da equipe, ou, tratar uma ideia como um “tesouro que pode ser roubado”. Essas atitudes são causadas pela vontade de mostrar resultados aos executivos da empresa ao invés de focar em apresentá-los para quem vai usar a inovação, ou seja, os clientes. Para criar algo com mais chances de sucesso é preciso escutar pessoas que estão familiarizadas com o negócio e outras que trazem visões sob diferentes perspectivas – conectar-se ao mundo exterior. Deixe que os outros saibam que sua empresa deseja interagir com novas ideias e oportunidades.

Ao promover a inovação como um processo de longo prazo, vemos que uma ideia, em si, não tem valor. A transformação da ideia em inovação é que é valorosa. Resultados não surgem da noite para o dia. Para alcançá-los é preciso estabelecer metas de curto, médio e longo prazo. Além disso, o alinhamento de expectativas entre os profissionais e a liderança é vital para reduzir a pressão pela entrega de resultados corridos e sem qualidade.

Enfim, ser responsável pela inovação de uma grande empresa não é fácil, mas também não é impossível. Não é necessário ter o orçamento da Tesla, os gerentes do Google ou os engenheiros da Amazon, mas, sim um plano claro sobre como integrar uma cultura inovadora em toda a empresa. Ter um Lab de inovação ou realizar um evento a cada trimestre podem ajudar, mas não devem ser tratados como a estratégia principal.

A inovação irá prosperar quando os profissionais que podem inovar forem apoiados e reconhecidos de forma consistente. Por fim, para acelerar a inovação, são necessários processos definidos que viabilizem as novas ideias e soluções para que elas não acabem apenas no papel. Os processos de inovação devem crescer assim como as ideias: devem começar como testes de pequenas iniciativas até se tornarem estabelecidos.

Por Gilmar de Oliveira Filho – Consultor de Aceleração Corporativa da Neo Ventures

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