O valor de mercado e as possibilidades das empresas exponenciais

Apple, Amazon, Microsoft e Alphabet, novo nome da holding da Google, são nomes que circulam no mercado e estão na boca dos consumidores. Porém, o que nem todos sabem é que juntas essas corporações valem 3 trilhões e 226 milhões de dólares, e mais, que não é preciso nem somar para que essas empresas se igualem ao valor total dos empreendimentos listados na bolsa de valore de São Paulo, a B3. Cada uma delas quase realiza esse feito individualmente.

Vista do Apple Park. © Gregory Varnum

Essa percepção é resultado da pesquisa feita pela equipe NeoRadar nos sites da B3 e da Nasdaq no dia 04 do dezembro de 2018. Cada uma das gigantes tecnológicas é avaliada, nas seguintes quantias: Apple, 838 bilhões de dólares; Microsoft, 833 bilhões de dólares; Amazon, 816 bilhões de dólares e Alphabet, 731 bilhões de dólares. Todas as empresas listadas na B3 valem, somadas, 955 bilhões de dólares, segundo os últimos dados divulgados no site da empresa até o dia de hoje, que foi em 06 de novembro de 2018.

A primeira empresa privada do mundo a ter seu valor de mercado superior a 1 trilhão de dólares foi a Apple e isso ocorreu em 2 de agosto desse ano, deixando investidores do mundo inteiro perplexos com a o quão rápido a icônica marca da maçã alcançou esse feito. Em novembro de 2008, pouco mais de 10 anos atrás, os papéis da empresa eram negociados na Nasdaq de forma que a empresa era avaliada em pouco mais de 61 bilhões de dólares, ou seja, mais de 10 vezes menos que hoje. A segunda empresa que chegou a ser avaliada em 1 trilhão de dólares, foi a Amazon, que atingiu tal marca recentemente, em 4 de setembro.

Enquanto nos EUA as cinco empresas mais valiosas estão relacionadas à inovação, no Brasil, o top five ainda é oriundo de setores tradicionais como o extrativista e o bancário. As cinco mais bem cotadas no dia 06 de novembro de 2018 são: Petrobras, Itaú Unibanco, Vale, AMBEV e Bradesco com valor de mercado girando em torno de, respectivamente, US$ 100 bilhões, US$ 83 bilhões, US$ 81 bilhões, US$ 70 bilhões e US$ 62 bilhões.

Com base nisso, é perceptível que, no Brasil, ainda comandam setores seculares que possuem pouca escalabilidade e precisam de muitos investimentos em capital intensivo, como equipamentos, ou pontos de atendimento, por exemplo. As empresas “exponenciais”, que têm potencial rápido de crescimento em escala, ainda não se encontram nem no top 10 das mais valiosas do nosso país. Esse atraso não é de todo negativo porque aponta grandes oportunidades de investimento: ainda há bastante espaço para empresas inovadoras despontarem no mercado interno.

Para que o cenário brasileiro se modernize, é preciso mais do que um conjunto de boas ideias no processo de crescimento empresarial. É necessário fomentar uma cultura diversa e multinacional, tornar o ambiente propício para negócios e investimentos, desburocratizar o mercado, mudar a dinâmica de contratação e gerenciamento de pessoas, investir em gestão, entre outros. Além de investimentos em nível macro, como, por exemplo, a ampliação do aprendizado de inglês e da educação nas escolas primárias. Seguindo esses passos caminhamos para inserir o país na era dos gigantes tecnológicos.

Esse é o primeiro de muitos outros temas que vamos abordar no portal NeoRadar. Ele foi criado com a finalidade de expor e analisar casos internacionais de negócios exponenciais e ambientes de inovação para que os leitores se inspirem e busquem conhecer mais sobre fatores de sucesso e fracasso desses negócios que impactam diretamente o dia-a-dia, o meio ambiente e a economia.

Bruno França Pádua – Diretor Executivo da Neo Ventures
@brunoFRpadua

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