O futuro do ecossistema de startups brasileiro, por Rom Justa

*artigo extraído do portal Época Negócios

Uma coisa é certa, desde a ramificação do conceito de startup, ocorreram muitas apostas e análises em relação ao futuro do ecossistema de inovação. Rom Justa, mestre em psicologia e co-founder do Outbound Initiative, nos convida a fazer uma reflexão quanto ao destino do ecossistema brasileiro de startup.

A pergunta inicial que Justa nos faz é: “afinal, a lógica das startups é algo sustentável, ou até desejável a longo prazo?” Para responder esse questionamento, o autor do artigo “O futuro do ecossistema de startups brasileiro” anuncia ser necessário fazer uma análise de todo o movimento socioeconômico das startups no país.

Em primeiro momento, é destacado o quão transformador as jovens empresas tecnológicas são quando o assunto é “catalisar mudanças extraordinárias em mercados inteiros”.

Segundo Justa, o modelo de startup surgiu revolucionando mercados e apresentando novos perfis de profissionais, “elevando jovens millennials, cansados da caretice executiva das gerações anteriores (baby boomers), ao patamar de rock stars digitais: novos milionários tatuados que andam de skate, pegam onda e, nos intervalos, tocam suas gigantes digitais”.

Contudo, dez anos se passaram (mais ou menos), e todo o futuro promissor das startups tornou-se realidade apenas para poucos investidores. Revelando, assim, alguns cases isolados que nos apresentaram “startups unicórnios” de bilhões de dólares. Como comprovação, Justa apresenta levantamento da Startup Farm em que 74% das startups fecham após cinco anos em atividade. Outra pesquisa, desta vez realizada pela Parallaxis, em 2016, diz que 72% das startups apresentam um faturamento superior a R$50 mil ao ano, sendo que 6% alcançaram um faturamento acima de R$500 mil.

O autor cita também a pesquisa feita por Pierre Azulay e Daniel Kim, professores do MIT. Ela revelou que os empreendedores que se destacavam no mercado das startups são founders com 45 anos de idade, aproximadamente. Jovens executivos que se empenhavam em levar o conhecimento adquirido para empreender fora das organizações que participavam. Assim, fica aparente que para empreender além de saber inovar e ter talento, é necessário que os founders tenham estrutura e experiência para tal.

O que mudou com as startups?

O cenário da tecnologia, no Brasil e no mundo, vem se alterando a passos rápidos. Explica-se: já vivemos a terceira onda da revolução tecnológica que deu origem às startups. A segunda, conhecemos bem, pois vivemos até hoje: internet, redes sociais, aplicativos, empresas que galvanizaram mudanças comportamentais profundas e se tornaram titãs corporativos contemporâneos, como os americanos Facebook, Google, Amazon; além dos chineses Baidu e Tencent. No Brasil, esta foi a época de pioneiros como Buscapé, Mercado Livre e Peixe Urbano.

As gigantes da tecnologia, carinhosamente chamados de “FAMGA” (Facebook, Amazon, Microsoft, Google e Apple), mais algumas grandes corporações chinesas tomaram o mercado e fizeram dele um grande “oligopólio digital contemporâneo” durante a segunda onda hightech.

Sem espaço para concorrer com este mercado, surgem às startups, empresas pequenas que causam impactos significativos no dia a dia das pessoas. Tais como Uber, 99, Netflix, PagSeguro, entre outros. São bilhões que usufruem dos serviços por elas oferecidos, em áreas fundamentais como transportes, comida e educação, por exemplo.

Definida como verticalizada e especializada, esta terceira onda demanda esforços muito maiores do que as possibilidades de inovações enfrentadas na fase anterior. “É bem mais complexo criar soluções de inteligência artificial ou robôs para a indústria 4.0, e também bem mais caro”, diz Justa.

Os avanços proporcionados pelas startups mudaram a sociedade. Ao colocar as segunda e terceira ondas em comparação, o psicólogo argumenta que “criar perfis de redes sociais parece de uma singeleza quase cômica, perto de hambúrgueres feitos a partir de células tronco, bancos descentralizados, carros autônomos e robôs superinteligentes”.

E no Brasil, percebe-se que o ecossistema da inovação ainda é considerado inferior ao ser comparado aos outros ecossistemas globais. As startups precisam abrir seus olhos para a movimentação internacional. Do contrário, ficarão sempre na posição passiva, de receber a orientação de fora para começar a agir.

O autor ainda pontua que esta afirmação não condiz com a realidade do que vem sendo reportado sobre os nossos primeiros unicórnios. Contudo, os grandes investimentos feitos nas startups brasileiras não surgiram necessariamente a partir da relevância do nosso cenário no ecossistema global, mas sim da necessidade do mercado estrangeiro em investir o dinheiro “sobrando”. 

No ecossistema brasileiro, a venda das startups é considerada uma grande recompensa financeira. Mas o retorno do capital não ocorre de forma descentralizada. Pelo contrário, ele tende a beneficiar apenas um grupo seleto de investidores. Sendo assim, Gusta aponta a necessidade de inovação como medida prioritária para a saúde do setor. Ele aponta que as características disruptivas das startups estão sendo corrompidas. Isso, em consequência das grandes empresas da tecnologia terem engolido as novas ideias e as novas empresas, causando o que o autor chama de “verticalização da inovação”.

“Os maiores avanços nos ecossistemas globais de inovação virão da descentralização, da distribuição de oportunidades, recursos e estrutura para que uma diversidade maior de startups, empresas e fundos também possa ter acesso ao palco competitivo global”, diz Justa.

O destino ideal é que as startups se enxerguem como pontos centralizados do ecossistema global. Segundo o autor, é inevitável fugir do modelo de negócio e, junto aos investidores e corporações, perpetuar a “rede global de fluxo de informações, capital, talentos e oportunidades”.

Para saber mais sobre inovação, tecnologia e o ecossistemas de startups, siga nosso portal nas redes sociais. @PortalNeoRadar

Veja mais:
Empresas investem em ambientes de trabalhos inspiradores e tecnológicos
A pizza de 10 mil dólares: o que eu aprendi com o Bitcoin
Incubar ou acelerar: o que é melhor para meu negócio?
Assistentes virtuais entram na rotina de milhões de pessoas

 

Views:
3630
Article Categories:
Notícias

Ver também