O fim da “era dourada” das startups

Enquanto cidades de todo o mundo incentivam a criação e o desenvolvimento de startups, no Silicon Valley o sentimento é o de que a era dourada desse tipo de empresa já está no fim.  É o que aponta Jon Evans, jornalista e engenheiro de software, em reportagem para o Techcrunch.

Segundo ele, as próximas revoluções tecnológicas não são tão permeáveis a iniciativas disruptivas (startups, por exemplo), e tendem a favorecer os gingantes da indústria. Evans adianta que a década seguinte será dominada pelos executivos, e não startups e empreendedores. “Os graduados de hoje mais provavelmente vão trabalhar para Mark Zuckerberg do que seguir seus passos”, afirma.

O “boom” da internet, entre 97 e 2006, trouxe Amazon, Facebook, Google, Salesforce, Airbnb, e outros. Nesse período, a rede mundial de computadores foi utilizada como negócio por qualquer um que tivesse capacidade de construir um bom site, permitindo, inclusive, escalar o negócio a nível mundial. De 2007 até 2016, com o “boom” do smartphone, surgiram a Uber, WhatsApp, Instagram etc. E a lógica se manteve a mesma, mas ao invés da internet, a matéria prima eram os aplicativos.

Por causa da forma como ocorreram as últimas grandes mudanças tecnológicas (internet e smartphone) temos a falsa impressão de que as próximas etapas também serão acessíveis para quem puder escrever um bom software e ter ideias inovadoras, por exemplo. Mas a verdade é que as novas tecnologias são mais caras e complicadas, o que favorece grandes organizações que tem capital, recursos e possibilidades de escalar a produção.

Além disso, a Web sempre foi ocupada por grandes organizações e o mesmo aconteceu com o smartphone. Não é coincidência que as empresas Alphabet, Amazon, Apple, Facebook e Microsoft tenham se transformado nas mais valiosas companhias do mundo.

A nova onda de tecnologia têm inteligência artificial, drones, realidades aumentada e virtual, carros autodirigíveis, criptomoedas e internet das coisas. Tratam-se de tecnologias que não são acessíveis a iniciativas disruptivas como eram a internet e os smartphones. A inteligência artificial, por exemplo, requer acesso a um tipo específico de dados. Outro exemplo são os carros que se auto pilotam: a tecnologia para viabilizar essa façanha é cara e já vem sendo disputada por grandes organizações.

E como esse cenário deixa as startups de tecnologia? Lutando, e, provavelmente, esperando para serem adquiridas por companhias maiores (uma das grandes cinco, especialmente). É claro que algumas startups ainda vão crescer e aparecer, mas serão iniciativas mais raras que nos anos do boom.

Os gigantes da tecnologia tendem a adquirir mais poder, tornando mais difícil para as startups competirem no mercado. Para Evans “isso não é uma coisa boa, porque as companhias grandes já têm muito poder. Amazon e Google são tão dominantes que existem vários pedidos para que eles sejam regulamentados”.

O jornalista conclui afirmando que não existe previsão de mudança nesse cenário, para os próximos cinco ou dez anos, em vista da natureza das novas tecnologias. O provável é que as grandes companhias continuem acumulando poder. “Até que, e nós podemos esperar, esse movimento seja balançado novamente, como aconteceu durante a era dourada das startups.”

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