Viagem à lua da SpaceIL vira bandeira pela inovação em Israel

  • em 20 de setembro de 2019
ilustração nave Beresheet

Por muito pouco Israel não protagonizou, em abril, um grande feito para a história aeroespacial. A nave Beresheet, planejada pela SpaceIL, falhou ao pousar na lua. Até chegou a entrar na superfície, mas acabou se chocando com o astro. Ela seria o primeiro equipamento desenvolvido por uma entidade privada a concluir essa viagem. Porém, o que parecia ser um fracasso, foi entendido como vitória. O objetivo principal, que era apresentar ao mundo um país obstinado pela inovação, havia sido alcançado.

Essa conclusão otimista parece ser compartilhada pelos profissionais da SpaceIL. É o que deixa transparecer Enon Landenberg, chefe de marketing da empresa, que concedeu um relato sobre o episódio à Época Negócios. Ele lembrou do início do projeto, há oito anos, estimulado por uma premiação milionária do Google, a Lunar X Prize, que não chegou a sair do papel. “Ela foi cancelada, mas nossa ambição era muito maior do que desbravar o espaço”, diz. “Queríamos motivar as crianças israelenses a estudar ciência e tecnologia”.

Landenberg se juntou a outros entusiastas para criar uma ONG voltada a projetos educativos com foco em inovação, todos em Israel. Chegaram a arrecadar US$ 100 milhões em doações. Correram as escolas do país. Ele assegura que 100% dos alunos assistiram a algum vídeo produzido pela entidade. Em paralelo, seguiam com pesquisas para construir o projeto da Beresheet.

Lições

Muito conteúdo foi produzido para os estudantes de Israel. Para Landenberg, no entanto, as aulas principais, aconteceram com o lançamento da nave, em fevereiro, e a quase aterrisagem, em abril. “Acho que fizemos um bom trabalho, porque em fevereiro dezenas de milhares de israelenses assistiram ao lançamento da nave espacial, ao vivo, transmitida por emissoras de TV e pela página da SpaceIL no Youtube. No horário de Jerusalém, eram 3h45 da manhã”. A tentativa de descida teve um público maior. “Mais de 8 milhões de pessoas assistiram”.

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O executivo destaca os acertos técnicos que tiveram. “Construímos uma nave bem pequena e de baixo custo, com 2 metros de diâmetro e 585 quilos”, explica. “Apesar de o combustível representar 80% do peso total, não havia energia suficiente para ir direto. A Beresheet teve que dar nove voltas em torno da Terra, usando a força da gravidade para ganhar embalo. Viajou 9,5 milhões de quilômetros, 25 vezes mais do que numa viagem em linha reta”.

A lição mais importante, porém, foi a perseverança. No dia seguinte ao choque com a lua, a SpaceIL anunciou que retomaria os trabalhos. “Decidimos ensinar mais uma coisa aos jovens israelenses: não desistir. Anunciamos a construção de uma segunda nave, a Beresheet 2.0.”

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