Mundo VUCA: Admirável mundo novo

Você sabe o que é Mundo Vuca? Alessandra Alkmim nos conta como as mudanças tecnológicas, culturais, sociais e financeiras tem transformado o mundo de forma exponencial.

Por: Alessandra Alkmim – Presidente do Conselho Empresarial da Mulher Empreendedora da ACMinas e Co-Founder da Plataforma Mulheres Do Futuro e Co-Founder da Satartup ADDHERE

Há 2.500 anos atrás, Heráclito dizia que era impossível entrar duas vezes no mesmo rio, que havia um sol novo a cada dia e que nada era permanente, exceto a mudança. Hoje chamamos de VUCA esse mundo que, milênios atrás, Heráclito vislumbrou como em eterna transformação.

O mundo VUCA em que vivemos vem mudando de forma rápida, exponencial e girando em templosion (time=tempo + implosion=explosão). O termo foi cunhado pela futurista e autora do livro FutureThink, Edie Weiner, e significa que transformações muito grandes estão acontecendo e sendo atualizadas em períodos cada vez menores de tempo. Preparados?

Mudanças tecnológicas, culturais, sociais e financeiras acontecem o tempo todo e a todo instante, fazendo a “leitura” do mundo atual ficar cada vez mais complicada. O planejamento estratégico nas empresas continua existindo, mas seu horizonte de tempo é cada vez mais reduzido…

Alessandra Alkmim é Presidente do Conselho Empresarial da Mulher Empreendedora da ACMinas e Co-Founder da Plataforma Mulheres Do Futuro e Co-Founder da Satartup ADDHERE.

VUCA é um acrônimo que surgiu no vocabulário militar americano na década de 90 para traduzir os cenários instáveis e muitas vezes complexos dos campos de guerra.

Em 1998, o United States War College apresentou o conceito no relatório Training and educating army officers for the 21st Century: Implications for the United States. Após a Guerra Fria, houve a percepção de que o mundo vibrava em um contexto intenso de volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade.

Posteriormente, o termo vem sendo cada vez mais citado e utilizado no mundo dos negócios, podendo ser aplicado em todo tipo de organização. Pode-se dizer que o VUCA é baseado na própria gestão de riscos, pois os próprios comandantes do exército americano tinham que lidar com cenários complexos e altamente dinâmicos, onde se exigia muito de suas capacidades de sobreviver ao caos.

Explicando a sigla VUCA, estamos falando de um mundo Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo.

O conceito VUCA expressa a complexidade da nossa sociedade contemporânea, devido à interconexão, interdependência e a globalização, situações que antes tinham pouco impacto no mercado, mas que agora refletem, e muito, em toda a nossa sociedade.

Descrevendo o VUCA…

VOLATILIDADE – tudo muda o tempo todo com uma velocidade absurdamente rápida; com uma frequência intensa e com um impacto que a gente desconhece. Vivemos a era da modernidade líquida, o mundo escorre pelas nossas mãos tamanha a velocidade que as coisas acontecem. Um exemplo de mundo volátil: o rádio levou 38 anos para alcançar 50 milhões de usuários. O Pokémon Go, acreditem, levou 22 dias…

INCERTEZA – é a gente não saber o que vem depois; é a falta de previsibilidade; é saber como lidar com o inesperado; ter a capacidade de enxergar todas as opiniões; é pensar na incerteza para tomar a decisão certa.

COMPLEXIDADE – o mundo está cada vez mais contraditório, nem tudo é tão simples quanto parece. Cada vez mais as coisas estão interligadas e interconectadas…Como conhecer essa interdependência? Como identificar a relação das coisas? A verdade é que quando mexemos em um fator, existe um resultado que pode ser provocado em outro lugar. Está cada vez mais difícil explicar o mundo de forma linear…

AMBIGUIDADE – o que vemos hoje são inúmeras interpretações para muitas coisas, vários sentidos para uma mesma questão. No mundo corporativo isso pode tornar as decisões mais arriscadas. É preciso controlar melhor o risco e saber das implicações das tomadas de decisões. Um exemplo de ambiguidade: você sabia que a rede social mais popular do mundo, o Facebook, possui 56 opções de gênero somente para o mercado americano? E a justificativa para isso é que estão expandindo a identificação dos usuários para além da dicotomia homem/mulher. Conseguem entender?

É notório que empreendedores estão sentindo os efeitos e os impactos destas mudanças velozes ocasionadas pela hiperconectividade e pelos avanços tecnológicos. Todo este movimento veloz e contínuo gera incerteza para as empresas, torna as relações e situações mais complexas e ainda aumenta a ambiguidade e a imprevisibilidade sobre o futuro dos negócios.

O mais inteligente num cenário como esse é que as empresas continuem a manter a sua relevância no mercado, porém devem rever e repensar os seus modelos de negócios frente à forma como prestam seus serviços à sociedade. Para atender a um novo consumidor que nasce em meio às transformações exponenciais, exige-se uma nova maneira de abordagem: sai a venda do serviço e/ou produto e entra o conceito de “qual a melhor experiência eu posso proporcionar ao meu cliente”, ancorado na gestão do encantamento e apoiado pelas novas tecnologias, onde haverá cada vez menos espaço para perdas. Errar fará parte de todo esse processo, mas aprender com o erro para aprimorar o serviço, propondo soluções criativas e inovadoras, será condição “sine qua non” para a sobrevivência na era templosion.

O que devemos saber é que as soluções do século XX já não são mais suficientes para dar respostas aos desafios do século XXI. O VUCA vem pressionando cada vez mais as organizações para criarem abordagens mais criativas, inovadoras e ágeis.

As empresas que estão conseguindo prosperar no Mundo VUCA são aquelas que, apesar das dificuldades, são resistentes ao caos, se reinventam, são rápidas em perceber a necessidade de se refazerem em cenários complexos e imprevisíveis.

Seguindo a linha de raciocínio de Darwin, “sobrevive quem se adapta”, e refletindo sobre isso, percebemos que teremos (sim!) que nos adaptar nesse novo contexto de mundo para sobreviver, reinventar e voltar a crescer mesmo que seja lentamente.

Alvin Toffler, um dos maiores futuristas do mundo, traz uma reflexão necessária para todos nós: “os analfabetos do século XXI não serão aqueles que não sabem ler ou escrever, mas sim aqueles que não saberão desaprender, reaprender e aprender.” Seja para empresários ou colaboradores, a aprendizagem contínua será imprescindível nesse novo contexto de mundo, ou seja, quem não se atualizar ficará de fora da próxima década.

É possível fazer previsões para os próximos 10 anos? E para o ano que vem? E para o mês que vem? Sejam bem-vindos ao mundo VUCA: volátil, incerto, complexo e ambíguo.

Para saber mais sobre inovação, tecnologia e o ecossistemas de startups, siga nosso portal nas redes sociais @PortalNeoRadar.

Veja mais:
Educação na era 4.0
A pizza de 10 mil dólares: o que eu aprendi com o Bitcoin
As carreiras digitais e o futuro das empresas e profissões
We Work anuncia uma nova marca: The We Company

 

Ver também