Kalanick deixa a Uber para tocar startup de cozinhas

  • em 26 de dezembro de 2019

Dos carros para os fornos, freezers e fogões. Tudo indica, esse será o trajeto a ser percorrido por Travis Kalanick, cofundador da Uber, que nessa semana de Natal decidiu se desligar por completo do conselho da empresa e vender todas as suas ações. Agora, o executivo planeja erguer grandes cozinhas fechadas e alugar o serviço para restaurantes. 

“A Uber fez parte da minha vida nesses dez últimos anos. Ao acabar a década me pareceu um bom momento para mim para me concentrar em minhas atividades atuais e nas minhas iniciativas filantrópicas”, disse o empresário, em comunicado

Na empresa desde 2009, Kalanick enfrentou batalhas, sobretudo jurídicas, para transformar a Uber em um ponto disruptivo no sistema de transporte público mundial. Conseguiu destronar monopólios em muitas cidades, dominadas por companhias de táxi. Na outra ponta, sofreu acusações de exploração laboral, pelo fato de a empresa não considerar os motoristas a ela vinculados como empregados.

Para a direção atual, o balanço do trabalho do executivo ao longo desse tempo foi bastante positivo. “Poucos empreendedores construíram algo tão profundo quanto Travis Kalanick fez com a Uber”, disse Dara Khosrowshahi, presidente-executivo.

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Cozinhas fantasmas

O alvo de Kalanick para 2020 será a CloudKitchens, fundada há cinco anos e já avaliada em U$ 5 bilhões. Em janeiro, a empresa capitou US$ 400 milhões de dólares do Fundo Soberano da Arábio Saudita.  O próprio executivo, que assumiu as operações em 2018, já aplicou do bolso cerca de US$ 150 milhões no negócio.

A startup constrói e disponibiliza cozinhas compartilhadas, com foco nos deliveries, inclusive para os restaurantes. A proposta das chamadas “cozinhas fantasmas” é que esses estabelecimentos reduzam os custos de mão de obra e de aquisição de máquinas ao terceirizar o preparo de pratos.

A CloudKitchens tem unidades instaladas em Los Angeles, na Califórnia. Para 2020, segue em busca de outras cidades, principalmente fora dos Estados Unidos. O planejamento inclui a compra de imóveis na Inglaterra, China, Índia, Coréia do Sul e Brasil.

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