Interesse por videogames dispara durante pandemia e já faltam profissionais qualificados no setor

  • em 18 de agosto de 2020
games

A pandemia do coronavírus forçou bilhões de pessoas ao redor do mundo a ficarem em casa. Com mais tempo livre, e sem opções de lazer, a indústria de games foi favorecida. Dados do setor mostram um salto no interesse pelos jogos eletrônicos após o início do isolamento. E enquanto o desemprego dispara, desenvolvedores enfrentam dificuldades para contratar por falta de mão de obra qualificada livre no mercado.

As três gigantes alcançaram resultados impressionantes no segundo trimestre do ano, o mais afetado pela pandemia. Em relação ao mesmo período de 2019, a Sony aumentou seu faturamento no segmento de games em 149%. Entre abril e junho, foram vendidos 91 milhões de jogos para PlayStation 4, alta de 83% na comparação anual. Na Microsoft, o faturamento da unidade de games (venda de consoles, jogos e assinaturas) disparou 65%.

A Nintendo viu os pedidos pelo console Switch dispararem, e a quarentena impulsionou as vendas do blockbuster “Animal crossing: new horizons”. Lançado em março, o game vendeu 12 milhões de cópias em 11 dias e, no segundo trimestre, mais 10,6 milhões. A empresa mais que dobrou seu faturamento, para US$ 3,4 bilhões, e fez seu lucro disparar 428%, para US$ 1,4 bilhão, frente ao mesmo mês de 2019.

“O lucro foi chocante o suficiente para nos fazer acreditar que houve um Natal em algum lugar do planeta durante o trimestre”, comentou em nota o analista Hideki Yasuda, do Ace Research Institute.

A consultoria Comscore, especializada na medição de audiência, registrou no Brasil um salto de 20% no uso de jogos on-line e nas visitas a sites de games entre as semanas de 9 a 15 de março e 16 a 22 de março, quando as medidas de restrição começaram a ser adotadas. Em junho, 84,1 milhões, dos 122,7 milhões de brasileiros conectados, consumiram esse tipo de conteúdo.

O maior interesse do público pelos jogos foi sentido na Etermax Gaming, criadora do “Perguntados”, que tem mais de cem milhões de instalações apenas para Android. Maximo Cavazzani, diretor executivo e fundador da companhia, estima que o número de usuários dos games criados pela produtora saltou 30%, na comparação ano a ano, e o tempo de engajamento aumentou 20%

Com os negócios em expansão, é preciso contratar mais profissionais para responder à demanda e, no Brasil, desenvolvedoras enfrentam dificuldades pela falta de mão de obra qualificada. A Wildlife Studios, uma das poucas startups nacionais avaliadas em mais de US$ 1 bilhão, já contratou mais de 350 profissionais neste ano, e tem planos para outras 310 vagas.

E mais: Startup de games capta investimento de US$ 120 milhões e seu valor de mercado vai a US$ 3 bi

Pelo fato de a indústria nacional de jogos eletrônicos não ser tão consolidada, faltam profissionais em funções-chave, como a de artista especializado em games. E o setor disputa, para posições como engenheiro de software, com gigantes multinacionais da tecnologia.

Views:
413
Article Categories:
Análises

Ver também