Inteligência Artificial ajuda a prever quem terá quadro grave de Covid-19

Inteligência Artificial é utilizada para prever coronavírus

Pesquisadores usaram ferramenta de Inteligência Artificial para identificar casos que podem se tornar graves, além do perfil do grupo de risco

Uma ferramenta de Inteligência Artificial foi capaz de prever com precisão quais pacientes recém-infectados pelo coronavírus iriam desenvolver doenças respiratórias graves. O novo estudo foi liderado pela Faculdade de Medicina Grossman, da Universidade de Nova York, a NYU, e pelo Instituto Courant de Ciências Matemáticas, também da NYU, em parceria com o Hospital Central de Wenzhou e o Hospital Popular de Cangnan, ambos em Wenzhou, na China.

Para a realização do estudo, foram coletados dados demográficos, laboratoriais e radiológicos de 53 pacientes, cada um com resultado positivo em janeiro de 2020 para o vírus SARS-CoV2 nos dois hospitais chineses. Os sintomas eram tipicamente leves no início, incluindo tosse, febre e dor de estômago. Em uma minoria de pacientes, no entanto, sintomas graves se desenvolveram em uma semana, incluindo pneumonia.

O novo estudo tinha como objetivo determinar se as técnicas de Inteligência Artificial eram capazes de ajudar a prever com precisão quais pacientes desenvolveriam a Síndrome da Angústia Respiratória Aguda, ou SDRA, o acúmulo de líquido nos pulmões que pode ser fatal em idosos. A nova ferramenta descobriu que alterações em três características – níveis da enzima hepática alanina aminotransferase (ALT), mialgia relatada e níveis de hemoglobina – eram preditores mais precisos de doenças graves subsequentes.

Juntamente com outros fatores, a equipe relatou ser capaz de prever o risco de SDRA com até 80% de precisão. Os níveis de ALT – que aumentam drasticamente quando doenças como hepatite danificam o fígado – eram apenas um pouco mais altos em pacientes com Covid-19, dizem os pesquisadores, mas ainda se destacavam na previsão de gravidade. Além disso, dores musculares profundas, sintomas da mialgia, também eram frequentes.

Além disso, níveis mais altos de hemoglobina, a proteína que contém ferro que permite que as células sanguíneas transportem oxigênio para os tecidos corporais, também estavam ligados a problemas respiratórios posteriores. Isso poderia ser explicado por outros fatores, como o fumo não declarado de tabaco, que há muito tempo está associado ao aumento dos níveis de hemoglobina. Dos 33 pacientes do Hospital Central de Wenzhou entrevistados sobre tabagismo, os dois que relataram ter fumado, também relataram ter parado de fumar.

As limitações do estudo, dizem os autores, incluíram o conjunto de dados relativamente pequeno e a gravidade clínica limitada da doença na população estudada. Este último pode ser devido em parte a uma escassez ainda inexplicável de pacientes idosos internados nos hospitais durante o período do estudo. A idade média dos pacientes foi de 43 anos.

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