Incubar ou acelerar: o que é melhor para meu negócio?

Se você começou um novo negócio, ou está prestes a se tornar um empreendedor, possivelmente já se deparou com o questionamento do título. O fato é que tanto incubadoras quanto aceleradoras têm um importante papel no desenvolvimento de empreendedores, startups e da economia local, mas o conceito e as características de cada uma ainda são confusos e, muitas vezes, mal empregados.

De acordo com o National Business Incubation Association (NBIA), a primeira incubadora surgiu nos EUA, no Centro Industrial de Batavia, em 1959, e atualmente existem mais de 1,9 mil instituições em 60 países. Já a primeira aceleradora moderna surgiu em 2005 e estima-se que cerca de 172 aceleradoras tenham se estabelecido até 2013, com 2.921 empresas sendo aceleradas.

Sabe-se, entretanto, que as motivações para fundar as aceleradoras são completamente diferentes daquelas apresentadas para incubadoras. Essas últimas são tipicamente criadas e fomentadas por entidades governamentais locais, regionais ou estaduais, com o objetivo final de criar empregos e atividade econômica dentro de uma área geográfica específica.

Por outro lado, as aceleradoras geralmente são entes privados cujo principal objetivo é alavancar o crescimento já identificado em startups que apresentam alto potencial de tração. Em sua maioria, são criadas por empreendedores e profissionais bem sucedidos ou por empresas privadas. A motivação está associada ao desenvolvimento do ecossistema, suporte aos empreendedores para preencher a falta de capital durante os primeiros anos de operação do negócio, investimento em negócios com alto potencial de escala e em nichos de mercado promissores, diversificação dos negócios, entre outros.

Outro aspecto relevante consiste no fato de que enquanto as incubadoras tentam blindar as empresas do ambiente externo para dar-lhes espaço para crescer, as aceleradoras estimulam as interações com mercado, buscando o rápido aprendizado e as adaptações necessárias ao negócio.

As principais diferenças entre aceleradoras e incubadoras estão nos seguintes aspectos: modelo de negócios, oferta de serviços, tempo de apoio, processo seletivo, negócios apoiados, setores da economia, objetivo principal e em tempo de mercado.

No caso das incubadoras, o modelo de negócios se apresenta, na maioria das vezes, sem fins lucrativos, e são mantidas por outras instituições que normalmente cobram taxas das empresas incubadas. A oferta de serviços é focada em infraestrutura, apoio administrativo e serviços de terceiros. O tempo de apoio gira em torno de 6 meses a 5 anos. O processo seletivo é contínuo e pouco competitivo. Os negócios apoiados estão em estágio inicial ou mais maduros. Os setores foco tendem a ser aqueles que exigem maior tempo para maturação dos negócios. E o principal desafio é o desenvolvimento da economia local.

Já as aceleradoras possuem modelo de negócios com fins lucrativos, mantidas por investidores privados. Realizam investimentos em troca de pequena participação societária. A oferta de serviços gira em torno de apoio na gestão do negócio, mentorias intensas, networking e infraestrutura. O tempo de apoio é de 3 a 12 meses. O processo seletivo recebe startups por turmas e é altamente competitivo. Os negócios apoiados normalmente têm alguma tração e alto potencial de escala. Os setores da economia possuem mercados mais dinâmicos, como o de tecnologia de informação. E o principal objetivo é o de expansão do mercado e retorno do investimento.

Assim, antes de escolher entre uma aceleradora e uma incubadora, é necessário analisar alguns fatores. O alinhamento é um deles. Por meio dele, o empreendedor deve buscar sinergia entre o negócio e o foco de atuação da incubadora ou aceleradora. E para isso, algumas perguntas devem ser respondidas, como: meu negócio se enquadra nos critérios de seleção definidos? Existe infraestrutura e recursos disponibilizados para alavancar o meu negócio? Existe um alinhamento de valores entre meu negócio e a instituição?

Um outro fator que precisa ser observado é se o suporte oferecido pela aceleradora ou incubadora é suficiente para levar o negócio para o próximo patamar dentro do período de tempo esperado. Algumas perguntas a serem respondidas são: a infraestrutura e os serviços de suporte (marketing, jurídico, contábil, etc.) são suficientes? Qual o recurso financeiro a ser aportado? Qual é a contrapartida? A rede de contatos da instituição é relevante para meu negócio? Terei acesso a clientes e investidores? Quem são as pessoas (sócios, funcionários, mentores, etc.) que irão me acompanhar durante este processo?

A reputação das instituições também deve ser avaliada, uma vez que a credibilidade é fundamental para aumentar a visibilidade do negócio nascente, atraindo capital, recursos e talentos. Algumas medidas de desempenho, como eficácia da gestão, taxa de ocupação, número de clientes, sobrevivência das empresas, postos de trabalhos criados, investimentos realizados e levantados e avaliação de empresas já aceleradas ou incubadas poderiam auxiliar na escolha.

O estágio do negócio é também um ponto a ser avaliado, pois um empreendimento na fase de ideia terá necessidades diferentes do que as de uma empresa com produto acabado e com vendas iniciais. Assim, uma incubadora seria indicada para empresas em momento muito precoce ou negócios maduros em setores que exigem maior tempo para maturação da solução. As aceleradoras, por sua vez, normalmente selecionam negócios com alguma tração inicial, com uma tecnologia diferenciada e com potencial de escala.

Dessa forma podemos concluir que não existe uma regra para a escolha entre uma aceleradora e uma incubadora. Cada empresa é única e possui suas especificidades. O que deve ser feito pelos empreendedores é uma análise criteriosa para que a instituição escolhida seja a mais adequada, para o desenvolvimento, crescimento e consolidação de seus negócios. Por isso, é importante estar atento a promessas e não focar apenas nos benefícios financeiros. Buscar informações para embasar a tomada de decisão em relação a qual caminho seguir é a melhor opção.

Vinícius Roman, co-founder e diretor técnico da Neo Ventures

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