GovTechs contornam morosidade do setor público

  • em 27 de fevereiro de 2020

Entre os gargalos para o desenvolvimento econômico do país, apontados pela maioria dos especialistas, está a morosidade do setor público. Uma nova rota, porém, pautada pela digitalização dos serviços, está sendo percorrida pelo Estado. Ele já conta com o apoio de startups específicas, as chamadas GovTechs, que cresceram justamente para contornar esse atraso tecnológico.

O mercado é promissor. De acordo com a Public, consultoria inglesa, o mercado global de GovTech girariam em torno de US$ 400 bilhões, com potencial de alcançar, em cinco anos, a US$ 1 trilhão. No Brasil, só o Governo Federal gasta, em média, R$ 8 bilhões por ano em serviços de TI, segundo o Ministério da Economia. Há demandas reprimidas por digitalização e outras ferramentas também nos tribunais, câmaras e assembleias, de norte a sul do país.

“Se 10% disso estiver a cargo de startups, estamos falando de um mercado de R$ 800 milhões em tecnologia inovadora”, explica Guilherme Dominguez, cofundador do hub BrazilLAB, em entrevista para a Folha de S. Paulo. “É mais do que vender soluções de TI, é vender serviços para o governo e fazer isso de uma forma que está muito relacionada com as startups, com inovação, inteligência de dados”.

A Brazil LAB é uma incubadora de novas empresas, por onde já passaram, nos últimos anos, 80 GovTechs. Ela fornece, inclusive, um selo de certificação, que comprovaria quais delas conseguiram se aperfeiçoar a ponto de atender o poder público.

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Mudança no marco legal

O crescimento das GovTechs já está amparado por uma mudança na legislação. Em outubro, o Congresso Nacional deu andamento ao decreto 10.024, que obrigou os municípios a utilizarem o pregão eletrônico em seus processos de compras. As cidades com mais de 50 mil habitantes tinham de se adequar até o dia 3 de fevereiro. Os municípios entre 15 mil e 50 mil terão até 6 de abril e, por fim, os menores, com menos de 15 mil, até 1° de junho.

O decreto abriu novas portas para o Portal de Compras Públicas, Govtech de Brasília, voltado justamente para o desenvolvimento de soluções de pregão eletrônico. “Enxergamos o governo como um parceiro, não como um cliente. Apesar de os governos serem nosso foco, não recebemos dinheiro público”, diz Leonardo Ladeira, presidente-executivo do Portal.

A empresa recebeu recentemente um aporte de R$ 2,5 milhões da Cedro Capital. O recurso, segundo Ladeira, será aplicado em melhorias nos atendimentos e no treinamento de clientes.  Já são 70 mil vendedores cadastrados e 500 compradores, que englobam de pequenas cidades, de pouco mais de 2 mil habitantes, a prefeituras de capitais como Porto Alegre e Vitória.

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