Estudo mostra os impactos da pandemia na inovação das empresas

Inovação nas empresas

Pesquisa feita pela ANPEI e Fundação Dom Cabral avalia os desafios e oportunidades em pesquisa, desenvolvimento e inovação em setores como tecnologia, indústria, saúde e educação

A crise causada pelo do coronavírus trouxe à tona a importância do desenvolvimento científico e tecnológico para a solução rápida dos problemas do país. Com o intuito de analisar os impactos desse cenário em empresas e instituições, a Fundação Dom Cabral (FDC) e a Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (ANPEI) lançaram um estudo inédito sobre os desafios e oportunidades em pesquisa, desenvolvimento e inovação.

Realizada no mês de abril, a pesquisa entrevistou 108 executivos de grandes empresas e startups dos setores de tecnologia, indústria, serviços, educação, saúde e agricultura. As perguntas se referiam às perspectivas de curto, médio e longo prazo das estratégias para lidar e superar os desafios decorrentes do atual cenário de crise. De acordo com o estudo, 51% das empresas apontaram que houve impacto negativo da pandemia em suas atividade de inovação. 

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“Enquanto algumas empresas e setores paralisaram seus projetos de inovação, outras áreas, como tecnologia e saúde, precisaram adotar novas soluções tecnológicas de forma rápida”, explica Carlos Arruda, professor de Inovação e Competitividade e gerente executivo do Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da Fundação Dom Cabral.

No estudo, as empresas de tecnologia estão entre as que mais tiveram oportunidades de crescimento durante a pandemia. Outros destaques são o setor de saúde, com o crescimento da telemedicina, e a área de educação. Já a indústria foi o setor com maior impacto negativo, para 64% das empresas que responderam à pesquisa. “Esse foi o setor mais crítico, uma vez que os projetos de inovação das indústrias são mais complexos e requerem proximidade social em atividades de laboratório e pesquisa”, explica Carlos Arruda.

O levantamento também destacou as principais estratégias adotadas pelas companhias no enfrentamento à crise, como o congelamento de orçamentos e contratações de funcionários e fornecedores, concessão de férias e adoção do home office. No entanto, mesmo que focadas no curto prazo, mais da metade das empresas planejam estratégias de novos negócios, produtos e processos para o médio e longo prazos.

O estudo ainda aponta os principais impactos da pandemia nas startups, que tiveram queda na receita durante a crise. “Para essas empresas, o fator crítico foi a paralisação no fluxo de receita em setores como o turismo e a falta de reserva reserva financeira”, diz Arruda. Nesse cenário, 52,3% das startups foram impactadas negativamente pela pandemia.

Oportunidades e desafios para a inovação

Para Humberto Pereira, presidente da Associação Nacional de Pesquisa e Empresas Inovadoras (ANPEI), embora a crise tenha forçado as empresas na adoção de soluções rápidas para a sobrevivência dos negócios, o período também é de oportunidade. “É preciso que as empresas transformem essas visões de oportunidade em investimentos concretos. Isso será fundamental para a retomada da economia brasileira”, afirma Humberto.

Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral, destaca que a inovação e a oferta de valor dos empreendedores e das empresas devem ser orientadas ao cliente. “Para enfrentar esse momento de crise, as empresas precisam oferecer soluções de valor para o cliente, e não apenas produto. É o que chamamos de ‘inovação disruptiva’, pois são inovações que não partem do conhecimento da empresa, mas sim das dores do cliente e do que ele precisa.”

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