Entenda a técnica que pode ter sido utilizada para criar bebês resistentes ao HIV

No dia 26 de novembro de 2018, um cientista chinês chamado He Jiankui anunciou em um evento em Hong Kong que haviam nascido os primeiros bebês geneticamente modificados do mundo. Apesar de não ter publicado nenhuma pesquisa relacionada ao fato e, aparentemente, sequer ter comunicado a universidade em que trabalha sobre a pesquisa, o cientista fez o anúncio. Há indícios que as gêmeas Lulu e Nana são resistentes ao vírus HIV, em função de uma modificação genética realizada pela equipe do cientista utilizando a técnica CRISPR (Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats), ou seja, Repetições Palindrômicas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespaçadas.

Cientista biológico He Jiankui durante a Segunda Cúpula Internacional sobre a Edição do Genoma Humano na Universidade de Hong Kong (HKU). (Photo by VCG/VCG via Getty Images)

Curiosamente, desde o último dia 28, o cientista está desaparecido. Há afirmações de que ele foi preso, mas a Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul negou que essa informação seja oficial. O governo chinês afirmou, entretanto, que irá punir os envolvidos na pesquisa, cujos nomes ainda não foram divulgados.

O fato é que a utilização desta técnica para a “edição genômica” tem sido polêmica desde a sua criação, pois já se previa a possibilidade de que ela fosse utilizada para editar o DNA humano. As pesquisas em torno dela vêm sendo publicadas desde 1993, segundo o Broad Institute, um centro de tecnologia americano com o foco em pesquisas relacionadas ao DNA humano.

O DNA (ácido desoxirribonucleico) é uma molécula presente na célula de todos os seres vivos, que contém o “código fonte” de cada um deles, em uma analogia ao código fonte de um software. A técnica de “edição genômica” evoluída permite à ciência, primeiramente, encontrar qual parte do “código fonte” do ser vivo pode ser editada para, por exemplo, o prevenir de alguma doença. Posteriormente, essa parte pode ser editada e copiada novamente para o código fonte original do ser vivo.

Quando ela é utilizada em uma célula de um embrião em estágio unicelular, por exemplo, essa modificação se prolifera para as outras células do ser vivo durante o seu desenvolvimento.

Para onde a ciência deve caminhar nesta área? Será que pais e mães, em um futuro próximo, devem ter a opção de escolher sobre a quais doenças o seu bebê deve ser resistente? Será que esse tipo de intervenção da ciência pode comprometer a humanidade?

Bruno França Pádua, co-founder, diretor executivo da Neo Ventures
@brunoFRpadua

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