Educação na era 4.0

Co-fundador do AppProva, Rafael Luiz, faz análise crítica do setor da educação no mundo 4.0

Por: Rafael Luiz
Professor, Customer Engagement Manager e Co-founder do AppProva

Em minha trajetória como empreendedor, uma das frases que mais ouvi foi: “a única constante é a mudança”. Acredito que essa seja uma máxima vivenciada por todos nós hoje em dia. O progresso tecnológico dos últimos anos tem modificado significativamente a realidade da nossa sociedade. Indústrias e segmentos que outrora dominavam seus mercados amargam resultados ruins ou, até mesmo, deixaram de existir por não terem acompanhado as transformações do mundo atual.

Por exemplo: qual foi a última vez que você saiu de casa para comprar um CD ou revelar uma foto? Quando você ligou para reservar um quarto de hotel? Qual a última vez que você sacou dinheiro para pagar o taxi? Quando você ligou pelo telefone fixo, ou, até mesmo, saiu para comprar uma pizza? Você se lembra de alguma discussão em casa pelo controle da televisão nos últimos meses? Não sei se alguns se recordam, mas o Uber ainda não havia chegado a Belo Horizonte na Copa do Mundo de 2014 e, nesta época, o WhatsApp tinha poucas funções.  

Hoje, apenas quatro anos depois, além de fazer ligações, o aplicativo se tornou uma máquina de gerar memes. Quanto ao Uber, a ferramenta já permite em algumas cidades, a escolha personalizada do tipo de carro desejado, bem como o compartilhamento de corridas em ônibus e minivans. Tais soluções nos fazem pensar: como vivíamos sem esses produtos anteriormente? Enfim, passamos por constantes mudanças.

Poderia pontuar inúmeros exemplos que comprovam o quão dinâmico e volátil é o mundo do século XXI. São incontáveis as inovações que têm ocorrido diariamente em todos os países, transformando o dia a dia da sociedade. E quanto mais as coisas mudam, eu, como professor de formação, me sinto mais aflito e incomodado com a estagnação nas salas de aula do Brasil. Temos muitos exemplos de reformas e trabalhos incríveis, mas depois de visitar quase mil instituições de ensino no país, vejo que o modelo oferecido atualmente nas escolas é o mesmo utilizado há mais de 100 anos.

Os mesmos formatos de aula que nossos avós tiveram, são oferecidos para a “moçada” de hoje, nativa digital e nascida no século XXI. Inclusive, uma expressão já virou clichê entre os educadores: “temos uma escola concebida no século XIX, com professores do século XX e alunos do século XXI”. Qualquer pessoa saberá que essa quantidade de “séculos” e mindsets (mentalidades) tão diferentes reunidos em um mesmo lugar durante, no mínimo, 200 dias no ano, tem grandes chances de não dar certo.

A presença de eletrônicos nas salas de aula como material didático é quase que “obrigatória”. (Getty Images/Divulgação)

Acrescentando a essa complexa equação ainda temos questões como investimentos mal planejados, dificuldades do setor público e pouca valorização/reconhecimento da educação por parte da sociedade. Assim, chegamos à fórmula perfeita para os resultados desastrosos que o Brasil vem apresentando. Estamos, segundo o último PISA, aplicado em 2015, na 63ª posição em ciências, 59ª em leitura e na 66ª colocação em matemática em um total de 70 países.

Além disso, entre os inúmeros problemas que acometem a educação brasileira, gostaria de destacar um em especial que acredito ter papel fundamental na questão. Durante minha trajetória acadêmica e profissional, pude comprovar que as transformações são feitas por pessoas. Elas são a chave de qualquer transformação, positiva ou negativa. Dito isso, fica claro, que um dos principais pontos para mudarmos essa realidade é a capacitação e formação dos nossos professores. Essas mudanças que estamos acompanhando todos os dias devem e já são parte do dia a dia dos nossos alunos. Contudo, se os professores não tiverem isso claro e suas práticas pedagógicas não acompanharem essas transformações, nada mudará.

Precisamos entender que o mindset dos professores do “século XXI”, da era 4.0, não pode ser o mesmo de dez ou cinco anos atrás. Temos que ter professores bem formados e, sobretudo, antenados com as constantes mudanças. As faculdades e mantenedores escolares devem investir bastante nessa reformulação de mindset e incentivar as boas práticas existentes. Afinal, está claro que aulas de séculos atrás não fazem sentido para os alunos atuais e que, de fato, a única constante é a mudança.

 

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