CSN entra com pedido de IPO da unidade de mineração; saiba quais os impactos no setor mineral

  • em 21 de outubro de 2020

Uma das histórias mais antigas do mercado de capitais brasileiro está perto de chegar a um momento decisivo. A CSN anunciou que entrou com pedido de registro de oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da unidade de mineração.

A abertura de capital da unidade que inclui a mina Casa de Pedra é aguardada há pelo menos uma década e ganhou status de lenda urbana na região da Avenida Faria Lima, onde se concentra o mercado financeiro. Após vários adiamentos, o IPO pode movimentar até R$ 10 bilhões.

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A CSN Mineração pretende fazer uma oferta primária e secundária. Na primeira, os recursos entram no caixa da companhia e devem ser usados para acelerar a exploração da mina de Casa de Pedra. Pelas estimativas divulgadas pela empresa no mês passado, a capacidade de produção anual de minério de ferro deve chegar a 108 milhões de toneladas no ano de 2033. Em 2019, a capacidade estava em 33 milhões de toneladas.

A siderúrgica informou ainda que avalia a venda de parte de suas ações no IPO da CSN Mineração. Os papéis da companhia serão listados no nível 2 da B3, o segundo com práticas mais rigorosas de governança corporativa, atrás apenas do Novo Mercado.

As ações da CSN (CSNA3) estão entre os destaques do Ibovespa no ano, com uma valorização acumulada de quase 40%. A siderúrgica inaugurou a temporada de balanços das empresas abertas brasileiras no terceiro trimestre com lucro líquido de R$ 1,262 bilhão, revertendo o prejuízo de R$ 871 milhões registrado um ano antes.

Com a abertura de capital da unidade de mineração, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) pode ganhar fôlego para projetos ainda engavetados. A companhia fechou o segundo trimestre com dívida líquida de R$ 33,12 bilhões e a sua meta é chegar ao fim de 2021 com dívida de R$ 23 bilhões.

“Não abandonamos o objetivo estar abaixo de R$ 23 bilhões e isso vai exigir alguns eventos, como a venda de ativos ou abertura de capital. Vamos estudar o IPO da mineração, pois é favorável do ponto de vista do preço da commodity e da situação do mercado de capitais”, disse o diretor de relações com investidores da CSN, Marcelo Cunha Ribeiro, durante a teleconferência de resultados.

Se conseguir os R$ 10 bilhões que busca com a operação, a empresa terá mais liquidez, de acordo com o analista de siderurgia e mineração do Itaú BBA, Daniel Sasson. “Sem dúvida [o IPO em mineração] ajudaria a empresa nesse processo de desalavancagem, que eles estão buscando há bastante tempo. Acredito que a venda de algum ativo é a única forma da companhia conseguir atingir uma dívida líquida/Ebitda menor que 3 vezes, como é o objetivo para o fim de 2021”, disse Sasson. No segundo semestre, essa relação estava em 5,1 vezes.

Para Sasson, a CSN Mineração vale em torno de R$ 30 bilhões e a companhia deverá colocar à venda em torno de 30% do negócio. “A CSN ficaria com menos de 50% do negócio consolidado caso colocasse no mercado mais de 30% de participação. A empresa não poderia mais consolidar integralmente os resultados da mineração no consolidado.”

Segundo o analista, a mineração pode representar cerca de 80% do Ebitda da CSN em 2020. No segundo trimestre, o indicador alcançou R$ 1,4 bilhão, o segundo maior da história da companhia, de acordo com a siderúrgica. A estimativa da CSN é comercializar de 33 milhões a 36 milhões de toneladas de minério de ferro neste ano.

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