Coronavírus: vacina em spray desenvolvida pela USP pode chegar em 2021

Enquanto o mundo corre contra o tempo para conseguir uma vacina contra o novo coronavírus, um grupo de pesquisa da Faculdade de Medicina e Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP) apostam no avanço do desenvolvimento de uma vacina brasileira em formato de spray nasal para imunizar as pessoas. Nos últimos testes, os resultados da fórmula desenvolvida pela USP em parceria com o Instituto do Coração (InCor) foram positivos. Se tudo correr como planejado, a vacina pode estar disponível já em 2021.

O diferencial da terapia de imunização brasileira em relação a outras vacinas que estão sendo criadas no mundo, como a desenvolvida na Universidade de Oxford, no Reino Unido, ou a produzida pelo laboratório chinês Sinovac, é que a vacina nacional não será aplicada em forma de injeção. Em vez disso, será administrada com o uso de um spray posicionado no interior das narinas. A ideia é permitir uma ação mais rápida do composto imunológico.

Como explicou Marco Antonio Stephano, médico e coordenador da equipe de pesquisadores da USP, o medicamento foi desenvolvido a partir de uma nanopartícula de uma substância natural. E, dentro dela, foi colocada uma proteína do vírus. A expectativa do grupo é que o medicamento induza o corpo a produzir a IgA secretora – anticorpos presentes na saliva, na lágrima, no colostro e em superfícies do trato respiratório, intestino e útero, que podem auxiliar no combate à covid-19. “Além de inibir a entrada do patógeno na célula, a vacina impedirá a colonização deles no local da aplicação”, explicou Stephano em entrevista ao Jornal da USP.

Quando estiver pronta, o que pode acontecer no segundo semestre de 2021, a vacina em spray deverá ser administrada em quatro doses (duas em cada narina) com um intervalo de alguns dias entre as aplicações. Isso permite que o composto de nanopartículas possa permanecer tempo suficiente no organismo do paciente, ao ser acoplado na mucosa nasal, para fortalecer o sistema imunológico no combate ao vírus SARS-CoV-2.

E mais: Cerca de 15 milhões de doses da vacina de Oxford estão programadas para chegar ao Brasil em dezembro

Por enquanto, a vacina brasileira ainda está na fase de testagem pré-clínica. Isso significa que os testes das fases 1 e 2 ainda não começaram. A primeira fase de avaliações clínicas deve ser iniciada até o fim de novembro. Se ocorrer como planejado, a segunda fase seria iniciada entre os meses de janeiro e fevereiro de 2021. A terceira fase viria em seguida. É nesta etapa, quando a vacina é aplicada em milhares de pessoas, que muitos projetos naufragam.

Num cenário otimista, em que a vacina possa ser aprovada em todos os testes clínicos necessários e receba o parecer positivo dos órgãos de saúde, os pesquisadores esperam que a terapia de imunização desenvolvida no Brasil possa estar pronta em junho do ano que vem. Dessa forma, o spray nasal contra a covid-19 só chegaria para a população após as vacinas injetáveis, que podem ser disponibilizadas no mercado brasileiro já em dezembro.

Vale lembrar que a vacina em formato de spray também foi utilizada para a imunização do vírus H1N1, nos Estados Unidos. Foi em 2009, durante o surto de gripe suína. Na ocasião, o soro foi produzido pela MedImmune, uma unidade da AstraZeneca.

Já as vacinas que estão sendo desenvolvidas para serem injetadas por seringas e que estão na terceira fase de testes ou que até já têm previsão para serem disponibilizadas, como no caso da vacina russa, o processo de formulação é mais simples. A de Oxford, por exemplo, utiliza como base a criação de imunizantes contra a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS).

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