Conheça a empresa de tecnologia com mais de 75% dos funcionários autistas

Meses após a diversidade ser pautada como tendência mundial como política a se seguir em 2019, durante a edição do SxSW (South by Southwest) – evento conhecido por lançar tendências e ser o principal festival de economia criativa do mundo -, uma empresa de tecnologia da informação e comunicação tem ganhado destaque por promover a inclusão e oferecer acessibilidade a pessoas com autismo.

Com escritório em sete países, a Auticon, empresa de consultoria em tecnologia de informação e comunicação, emprega quase exclusivamente pessoas com diagnóstico do espectro autismo. Segundo dados divulgados no site da empresa, aproximadamente 150 dos 200 empregados se encaixam no perfil abraçado por eles.

A empresa foi constituída em 2011, ano em que o fundador, Dirk Müller-Remus, teve o filho diagnosticado com autismo. Em 2018, a empresa fez a aquisição da MindSpark que, a título de curiosidade, foi fundada por Gray Benoist, que também possui dois filhos com o mesmo problema.

Dirk Müller-Remus criou a empresa e adotou a acessibilidade após ter o filho diagnosticado com autismo. (Divulgação)

Em um dos escritórios da Auticom, localizado em Santa Monica, na Califórnia, o ambiente é descrito como “calmo, mas divertido”. Todos os 150 funcionários com o espectro autista possuem autonomia para lidar com o dia-a-dia de trabalho. Eles podem usar, por exemplo, fones de ouvido para minimizar o excesso de barulho. Também como medida para melhorar a produtividade dos funcionários, é ofertado a eles uma sala escura para maior concentração. Eles não precisam gozar da hora do almoço em espaços sociais e podem se comunicar com os colegas por mensagem de texto se não quiserem fazê-la verbalmente. E caso eles tenham um momento de crise, podem tirar “dias de folga por ansiedade”.

Adaptação

Em processos seletivos de candidatos especiais, como os que ocorrem na Auticom, a atenção deve ser redobrada. Em alguns processos, há muita desistência devido a pressão e a ansiedade, que muitas vezes é mais forte para autistas, tornando uma entrevista de emprego uma experiência muito intimidante. “As pessoas costumam contratar pessoas que são parecidas com elas, e os autistas não são como a maioria, eles são como eles próprios”, diz Steve Silberman, autor do livro Neurotribos, um livro que conta a evolução do autismo.

Há bons exemplos. A alemã SAP, especializada em software, que também contratam colaboradores com autismo, optou por um teste admissional fora do comum. O participante poderia trocar a experiência de uma entrevista de emprego normal por uma dinâmica diferenciada. Entre elas, montar um robô utilizando peças lego. Os que avançam, recebem um treinamento também especial.

Sobre o autismo

Segundo pesquisa levantada pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) em 2018, uma em cada 59 crianças são diagnosticadas com o espectro do autismo. A doença é um transtorno que atinge o sistema nervoso. Os sintomas podem variar, mas costumam ser dificuldades de comunicação e interações sociais, interesses obsessivos e comportamentos repetitivos.

E como tratamento, a neuropediatra Clay Brites, do Instituto NeuroSaber, defende a adoção do uso de smartphones e tablets como auxílio para que a criança autista possa absorver conhecimento didático e aprimorar estímulos visuais que facilitam o aprendizado.

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