Computação quântica pode impulsionar desenvolvimento do blockchain

A segurança da base de dados em blockchain segue implacável, o que não significa que a mesma não esteja sendo colocada à prova. Já se sabe que a computação quântica, cujo avanço é acelerado, tem potencial para, em alguns anos, tornar vulnerável a tecnologia que possibilitou o bitcoin. Porém, é justamente esse suposto vilão que pode tornar o blockchain ainda mais forte.

A lógica é que o crescimento de um impulsione o desenvolvimento do outro. “Nenhuma dessas tecnologias chegou à estabilidade. Nenhuma delas vai ficar parada. Ambas devem evoluir e conviver”, explica Vladimir Dashchenko, chefe de pesquisa na Kaspersky, empresa russa de cibersegurança. Há quem aposte, inclusive, na aplicação conjunta das duas tecnologias. Em fevereiro, o físico Shakib Darynoosh, do centro de pesquisa australiano EQUS, propôs uma rede blockchain baseada em servidores quânticos.

Para entender o nível de ameaça é preciso conhecer como funcionam os computadores quânticos. Mesmo considerada uma tecnologia nascente, os protótipos já conseguem calcular grandes números, impossíveis para os computadores atuais. As máquinas possuem cerca de cem qubits de poder de processamento. Para poder quebrar uma criptografia em blockchain seria necessário algo próximo a 1,5 mil qubits.

O problema é que essa capacidade de processamento cresce muito rápido. Uma situação bem descrita no artigo “Quantum computers put blockchain security at risk”, publicado na revista Nature em novembro do ano passado.  Alexander Lvovsky, físico da Universidade de Oxford, um dos autores do artigo, acredita que em 2028 a computação quântica supere o processamento de 1,5 mil qubits.

Segundo Lvovsky, os blockchains estariam inclusive mais vulneráveis do que outras tecnologias de armazenamento de dados. “Um blockchain está particularmente em risco, porque as funções de mão única são sua única linha de defesa”, diz o artigo da Nature. “A única proteção do usuário é sua assinatura digital, enquanto os clientes bancários são protegidos por cartões de plástico, perguntas de segurança, checagens de identidade e caixas humanos”.

Hoje, o caminho para as empresas, segundo especialistas, é escolher frentes de cibersegurança que acompanhem de perto esse movimento. Além disso, adotar, quando estiver disponível, a tecnologia que consiga aliar a segurança do blockchain com a eficiência da computação quântica.

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