Brilho em cratera gigante indica oceano subterrâneo em planeta-anão Ceres

  • em 12 de agosto de 2020
Planeta-anão Ceres

O planeta-anão Ceres, que permanece um mistério para os cientistas, pode ser um “mundo oceânico” sob a superfície, de acordo com uma série de estudos publicados nesta semana. O planeta já foi considerado apenas um pedaço grande de rocha, porém novas observações apontam que, na verdade, ele possui um oceano subterrâneo que pode cobri-lo por inteiro.

Em 2015, após uma jornada de sete anos e meio, a sonda norte-americana Dawn registrou pontos anormalmente brilhantes chamados fáculas na cratera Occator, formada por um impacto há 20 milhões de anos. Depois de algum tempo, os pesquisadores determinaram que esses brilhos eram criados por carbonato de sódio, uma espécie de sal. Na Terra, a substância é encontrada em fontes termais e em rachaduras nas profundezas do oceano.

Porém, a fonte de carbonato de sódio de Ceres ainda era um mistério. Agora, uma série de artigos publicados na Nature sugerem que a resposta pode ser uma salmoura profunda que foi exposta durante o impacto que formou a cratera. Os dados para chegar à conclusão foram registrados já na parte final da missão da Dawn, quando fotografou a região com melhor resolução.

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A sonda conseguiu registrar variações de gravidade na cratera que, combinadas com modelagem térmica, sugerem um reservatório profundo de salmoura escondido sob a crosta. O depósito de água salgada pode ter jorrado após o impacto, criando os depósitos de sal que são vistos atualmente.

Já outro estudo, que utilizou uma combinação de dados, apontou que a crosta de Ceres é bastante porosa. Essa porosidade, porém, vai diminuindo com a profundidade, possivelmente à medida que o sal se mistura com a rocha. Apesar de a cratera ter cerca de 20 milhões de anos, os depósitos de sal são muito mais “jovens”, com cerca de dois milhões de anos, indicando uma fonte profunda de salmoura. Isso é apoiado pela surpreendente descoberta de hidrohalita, um mineral raro.

A forma hidratada de cloreto de sódio foi encontrada no topo de cúpula da Cerealia Facula, o ponto mais brilhante da cratera Occator. A descoberta surpreendeu os pesquisadores porque o mineral se desidrata muito rapidamente, em dezenas de centenas de anos. Com isso, é provável que a salmoura estava jorrando há pouco tempo.

Porém, como há a presença de outros tipos de sais, pode ser que tenham origens diferentes. Primeiramente, o calor do impacto pode ter derretido um reservatório de gelo, que fluiu para superfície, depositando os sais na cratera. Depois, mais lentamente, uma salmoura mais profunda foi jorrando até chegar à superfície, criando essa segunda camada de sais.

Portanto, é fácil afirmar que Ceres é muito mais complexo do que imaginado. Com a descoberta desse provável oceano subterrâneo, se junta a outros mundo, como as luas Europa, Ganimedes, Calisto, Enceladus, Titã e Mimas, além de Plutão como mundos oceânicos em potencial.

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