BlaBlaCar aposta nos ônibus para crescer no país

  • em 16 de dezembro de 2019

A francesa BlaBlaCar, no Brasil desde 2015, deixará as caronas de carro um pouco de lado para avançar sobre as poltronas dos ônibus. Após alcançar 8 milhões de usuários no país, a startup pretende fazer parcerias com empresas de transporte, sobretudo de turismo, e disponibilizar os assentos desocupados dos veículos de viagem.

Com a medida, a BlaBlaCar pretende dobrar o volume de caronas em 2020, que já havia sido dobrado em 2019, no comparativo com 2018. “Como Uber e 99 são muito grandes, o pessoal acaba não percebendo, mas em longa distância nós somos a maior plataforma do Brasil”, diz o diretor-geral Ricardo Leite, em entrevista para a Época Negócios.

Para os pedidos de ônibus, a margem da startup será mínima, assim como acontece nas viagens de carro. Com valores baixos, é quase impossível gerar lucros, mas esse nunca foi o objetivo. Desde que foi criada, em 2003, a meta da BlaBlaCar sempre foi incentivar o voluntariado. O que deve ocorrer novamente com os ônibus. “Queremos ocupar os assentos vazios”, diz Julien Lafouge, CFO global, também para a Época Negócios. “Existe uma ineficiência no uso dos ativos, quaisquer que sejam, e a nossa missão é preencher. Todo mundo se beneficia”.

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Estratégia de crescimento

As viagens, claro, não serão de graça para os usuários. A ideia é intermediar a venda das passagens de ônibus que as empresas de transporte não estão conseguindo dar vazão. Será um modelo diferente do executado pela startup na França. Lá, eles inauguraram a BlaBlaBus. “Compramos uma empresa de ônibus na França porque, incrivelmente, essa atividade não existia lá. Você podia organizar uma excursão, mas não uma linha regular”, explica Julien. “Aqui existem marcas estabelecidas, com competência para operar ônibus. Temos que ser humildes e reconhecer que eles sabem fazer o que fazem”.

De carro ou de ônibus, a meta é avançar no Brasil. Segundo o CFO, apenas 3% da população em idade para usufruir do aplicativo de fato o utilizam. Na França, são quase 50%. A estratégia da BlaBlaCar é apostar na segmentação geográfica, diferenciando os serviços de acordo com as características econômicas e culturais de cada estado brasileiro. “Seja pela penetração de público, seja pela comparação com outros meios de transporte, o potencial é grande”, diz Julien.

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