UE pressiona big techs em nova lei

  • em 20 de fevereiro de 2020

Amazon, Google, Facebook e outros grandes conglomerados de tecnologia, os big techs, terão de superar desafios de ordem política na Europa. Na última quarta-feira, dia 19, a Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia (UE), apresentou uma lei que as obriga a compartilhar dados com os concorrentes menores.

A nova regulamentação, porém, ainda precisa ser aprovada pelo Conselho Europeu, formado pelos chefes de Estado dos 27 países que compõem o bloco econômico. Um dos argumentos da Comissão é que o setor de tecnologia precisa seguir regras similares a de outros segmentos, como o automotivo, financeiro e de energia.

Outra justificativa é em relação à segurança. Membros da UE entendem que há uma concentração gigantesca de dados privados nas mãos dessas empresas, o que as deixaria em uma posição de poder diante da sociedade.

Esse volume de dados tende a crescer. Em 2018, estima-se que foram movimentados pelas gigantes em torno de 33 zettabytes, cada um equivalendo a mais de um trilhão de terabytes. Em 2025, a Comissão estima que o valor chegará a 175 zettabytes.

“Se a UE quer liderar a economia digital, precisa agir agora de maneira organizada para resolver questões como conectividade, processamento e armazenamento de dados, capacidade de computação e cybersegurança”, diz o texto do regulamento, publicado pela Folha de S. Paulo.

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Histórico contra big techs

O debate não é novo. Há cinco anos, mais precisamente quando Margrethe Vestager, do Partido Social-liberal da Dinamarca, ingressou como comissária de concorrência no órgão executivo da UE, o bloco se movimenta para aplicar normas restritivas às chamadas big techs.

Uma das primeiras medidas de Vestager foi promover uma investigação sobre práticas do Google prejudiciais à concorrência. O resultado foi 8,2 bilhões de euros em multas pagas pela Alphabet, empresa que controla o Google. Investigações contra Apple, Amazon, Facebook e novamente o Google seguem na Comissão.

“A Europa precisa tirar o atraso em alguns campos”, disse a alemã Ursula von de Leyen, presidente da Comissão Europeia, em setembro do ano passado. “E Margrethe Vestager vai liderar os esforços da Europa para se adequar à era digital”.

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