Bengala com acesso ao Google chega ao Brasil

  • em 12 de dezembro de 2019

A feira Cidade Inclusão, que ocorreu nesse mês no Rio de Janeiro, mostrou aos brasileiros uma tecnologia que, desde setembro, vem contornando obstáculos à inclusão de deficientes visuais. Por meio de sensores e conexão com o Google Maps, a bengala WeWalk Smart Cane interage com o usuário e, mais do que um suporte, indica os caminhos mais rápidos e seguros.

O equipamento alerta sobre obstruções no trajeto por meio de vibrações. Ela consegue identificar e avisar também sobre barreiras na altura do peito e da cabeça. Conectada a smartphones, via bluetooth, e a softwares de assistência de voz, a bengala até informa sobre a presença de lojas, restaurantes e outros pontos da vizinhança.

“A WeWALK está transformando positivamente a perspectiva das pessoas com essa deficiência e ampliando a conscientização sobre inclusão”, diz o psicólogo turco Kursat Ceylan, criador do projeto. “Eles pensam que essa solução pode dar a meu filho, ou marido, esposa, ou a meus pais mais independência, autossuficiência e autoconfiança. Este é o efeito mais importante da WeWALK para mim. E isso nos mostra que a WeWALK não é apenas uma tecnologia, mas um movimento social”.

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Tecnologia pela igualdade

Ceylan conhece de perto esses problemas. Cego desde que nasceu, há 33 anos, ele cresceu pesquisando por mecanismos que atenuem as suas dificuldades e, de tabela, as de milhões de pessoas que compartilham as mesmas rotinas. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), são cerca de 250 milhões de deficientes visuais. “Falamos muito de carros voadores e de alta tecnologia, mas as cidades do futuro devem estar conectadas para atender a todos e a tecnologia vale muito mais a pena quando privilegia a acessibilidade e inclusão por igual”.

Ele já havia desenvolvido sistemas de navegação para localizar objetos em casa e de descrição em áudio de filmes. Queria mais. Em 2012, organizou um hackathon junto a empresas e entusiastas de novas tecnologias para criar um equipamento revolucionário. Desse emaranhado de novas ideias surgiu a bengala.

“O desenvolvimento durou três anos e o lançamento ocorreu há cinco meses, após uma campanha de crowdfunding no Indiegogo”, explica Ceylan. O equipamento já foi lançado nos Estados Unidos, Inglaterra, Japão, Alemanha e outros 26 países. Em setembro, chegou ao Brasil. Ele não revela valores nem quantidades, mas garante que haverá expansão da empresa. “Não podemos ainda divulgar as unidades vendidas, pois estamos em processo de rodada de investimentos”.

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