Banco Central fortalece laboratório de fintechs

  • em 17 de fevereiro de 2020

O crescimento das fintechs brasileiras pode ser justificado, entre outras razões, pela ancoragem de um parceiro estatal pesado. O Banco Central mantém, há dois anos, o Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas (LIFT), justamente para acelerar o desenvolvimento dessas startups. No próximo mês, o LIFT abrirá a sua terceira chamada de inscrição de projetos.

As empresas selecionadas passam a receber orientações e ganham musculatura junto a importante agentes do mercado. Nos moldes de uma incubadora, elas passam por testes de desempenho e, ao final do arco de aprendizado, conseguem aperfeiçoar as soluções que oferecem. O Banco Central também ganha com o projeto. A instituição tem contato direto com as novas propostas tecnológicas das startups e, assim, conseguem adaptar as regras do setor.

O projeto foi inspirado em programas conduzidas pelas autoridades monetárias da Inglaterra e de Cingapura. Mais do que oportunidades a empreendimentos novos, o laboratório contribui inclusive para o fortalecimento da imagem do Banco Central. “Durante muito tempo, o BC foi acusado de ser uma caixa-preta e de estar fechado em si”, diz Carolina Barros, diretora de administração da entidade, em entrevista ao Estadão. “O LIFT rompe esse paradigma e coloca o banco numa postura de abertura e diálogo”.

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Apoio de grandes empresas

O Banco Central não está sozinho na condução do laboratório. Os projetos aprovados acabam recebendo cooperação de grupos como IBM, Oracle, Amazon e Microsoft. São nessas empresas onde as fintechs encontram o ambiente virtual para se desenvolverem.

Em dois anos, 38 projetos já passaram por esse ambiente, sendo que 29 conseguiram terminar todo o processo proposto pelo laboratório. Nessa última lista está, por exemplo, a BluPay, startup que desenvolve alternativas para pagamentos on line, baseadas na tecnologia blockchain. Em dezembro, os donos da BluPay venderam 51% da empresa à multinacional Valid, que fabrica cartões bancários.  

“Para quem está tentando pensar em novas alternativas para o setor financeiro, se aproximar quem de fato tem o controle da execução da regulamentação do nosso sistema financeiro funciona com uma ponte muito importante”, diz Rubens Rocha, fundador da BluPay.

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