Balanços da Apple e da Amazon revelam os impactos da pandemia

Apple deve ter um tombo no faturamento, enquanto a expectativa é de um crescimento das receitas da Amazon, impulsionadas pelo aumento das vendas online

A Apple e a Amazon divulgaram essa semana os seus resultados financeiros referentes ao primeiro trimestre de 2020. Os números devem mostrar o impacto da pandemia do novo coronavírus, que levou a uma quarentena global e fechou lojas físicas em diversas cidades, no setor de produtos eletrônicos e no comércio online, respectivamente. Analistas estimam que a Apple deve registrar um faturamento de 54 bilhões de dólares, uma queda de quase 20% em relação aos 67 bilhões de dólares inicialmente projetados pelo mercado.

O motivo de tal queda é a pandemia, que afetou a cadeia produtiva de eletrônicos entre janeiro e março deste ano, assim como as vendas, uma vez que a Apple teve de fechar a maioria das suas lojas físicas. Além disso, a produção do novo iPhone, que será lançado no final do ano, foi adiada. No último trimestre do ano passado, a boa receptividade dos iPhones 11 Pro e as vendas de relógios inteligentes ajudaram a companhia a crescer.

Apesar da expectativa de queda nas vendas de smartphones e computadores, a receita com serviços pode ajudar a Apple a passar pela crise. Com as pessoas passando mais tempo dentro de casa, é possível que a empresa tenha aumento no faturamento com o streaming de vídeos Apple TV+, o streaming de música Apple Music e o serviço de atendimento Apple Care.

No caso da Amazon, a expectativa é de que a empresa informe uma receita entre 69 bilhões de dólares e 73 bilhões de dólares. Com isso, o crescimento anual da companhia seria de 16% a 22%. O aumento das compras na Amazon diminuiu a velocidade de entrega da empresa, mas ela não parou as atividades mesmo durante a quarentena — o que foi alvo de intensas críticas uma vez que trabalhadores de mais de 130 centros de distribuição da varejista contraíram coronavírus. Durante a quarentena, a varejista contratou mais de 175.000 funcionários para atender à crescente demanda de produtos vendidos via internet.

No primeiro trimestre deste ano, as ações da companhia subiram 2,6%, de 1.898 dólares para 1.949 dólares. Em 29 de abril, as ações chegaram 2.370 dólares, mostrando com o coronavírus ajudou no valor de mercado.O gigante do comércio eletrônico aproveita o momento da quarentena para crescer, como fizeram as empresas de e-commerce Alibaba e JD.com, na China, em 2003, por causa da epidemia da Sars.

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