Por que a Europa não tem um Google ou um Alibaba?

  • em 30 de maio de 2019

No mapa das sedes das grandes empresas de tecnologia de consumo, as setas estariam apontadas apenas para Estados Unidos e China. Mesmo tendo sido berço de expoentes como Spotify e Farfetch, a Europa ainda não conseguiu revelar uma empresa global capaz de fazer frente ao Google, ao Facebook ou ao Alibaba. As justificativas para o atraso do Velho Continente seriam seis, segundo os investidores ouvidos pelo portal Business Insider.

A primeira é justamente a falta de financiamento. Richard Anton, co-fundador da empresa de capital de risco Oxx, explicou que não há no continente empresas competitivas o bastante para levantar grandes somas de capital. “Elas podem ser empresas perfeitamente viáveis, mas caem em uma cratera depois de lutar para preencher a lacuna entre o financiamento em estágio inicial e o crescimento”, explicou.

Patrick Pichette, ex-diretor financeiro do Google, atual diretor da iNovia, concorda. “No Reino Unido, se você quiser levantar entre US$ 500 mil e US$ 3 milhões, você tem que batalhar, mas não chega a ser complicado. Mas se você precisa de US$ 50 milhões, fica muito difícil”, explica. Segundo ele, os recursos dos investidores acabarão sempre em algum movimento no Vale do Silício.

A segunda justificativa seria a falta de “anjos” com experiência e muito dinheiro disponível para ajudar as startups. Essa ausência estaria afugentando bons projetos e talentos, que acabam buscando abrigo nos Estados Unidos. Assim, entramos na terceira justificativa, que é a do risco. Os investidores europeus seriam mais medrosos em comparação aos seus pares norte-americanos. Na Europa, os pequenos empreendedores precisam dar muitas garantias de retorno para convencer um parceiro grande a embarcar em um projeto.

Mercado interno e mudança de pensamento

A quarta razão estaria nas características de consumo do europeu. O mercado do continente é pulverizado em várias nações, com renda, idiomas e demais características culturais muito diferentes. Não é uma peça homogênea, como nos Estados Unidos e na China. O artigo  da Business Insider até fez um comparativo entre uma startup francesa e uma chinesa. Enquanto a expansão da primeira, na fronteira do país, atingiria uma população de 70 milhões, o alcance da segunda seria de 1,3 bilhão.

“Ainda há diferentes padrões culturais para o consumo”, diz Sonali De Rycker, sócio da Accel e um dos primeiros investidores no Spotify. “As pessoas compram de forma diferente. A taxa de retorno do comércio eletrônico varia da Alemanha, por exemplo, para a Suécia”.

As duas últimas justificativas também remetem a traços exclusivos da Europa. A quinta fala sobre a falta de ligação entre os centros de conhecimento, como as grandes universidades, e os movimentos de empreendedores. O continente demorou a perceber a importância desse tipo de parceria, que está inclusive na raiz do Vale do Silício.

Por fim, a razão 6 seria a perspectiva pouco expansiva dos empresários europeus, principalmente os ligados às startups. Talvez até pela dificuldade cultural apontada na quarta razão, eles não estariam pensando em soluções para problemas mais globais. Faltaria ambição ou até mesmo acreditar que boas ideais também ultrapassam fronteiras.

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