Aplicativo brasileiro Hear identifica violência contra a mulher a partir de inteligência artificial

  • em 13 de janeiro de 2020
Aplicativo brasileiro Hear identifica violência contra a mulher a partir de inteligência artificial

A taxa de feminicídios no Brasil é a quinta maior no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Atento ao alto número de mulheres vítimas de violência no País, um grupo de pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) desenvolveu o aplicativo brasileiro Hear para identificar casos de agressão entre o público feminino.

Criada pelo aluno do mestrado profissional do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar), Lincon Ademir, o aplicativo brasileiro Hear: Helping Everyone to Actively React (Ouvir: Ajudando Todos a Reagir Ativamente, em tradução livre), é coordenado pela professora de pós-graduação do Cesar e da UFRPE, Ana Paula Furtado.

De acordo com a orientadora, em entrevista exclusiva à revista Época Negócios, o objetivo da iniciativa é contribuir, por meio da tecnologia, para resolver um problema social de violência de gênero no país. “Uma ajuda nesse momento crucial pode impedir que a vítima se torne mais uma mulher nas estatísticas de feminicídio no país”, afirma Ana Paula.

O aplicativo possuirá uma comunidade de usuários cadastrados que serão acionados em tempo real, a partir de inteligência artificial, independente de denúncia formal por parte da vítima em casos de situações de violência.

Uma vez instalado no celular, a tecnologia identifica, por meio de palavras-chave ou do sentimento na voz da usuária, sons do ambiente e analisa possíveis agressões.

Quando a ferramenta reconhece algum ato de violência, uma notificação é enviada para outros usuários da plataforma, contendo informações de localização da vítima e o horário da agressão.

Segundo a pesquisadora, as pessoas cadastradas no aplicativo podem decidir como ajudar a vítima, já que não há notificação direcionadas à polícia. “A ideia é utilizar a escuta ativa dos celulares para que, mesmo off-line, o aplicativo consiga detectar caso a usuária seja agredida em algum momento, sem que ela precise apertar qualquer botão no aparelho”, explica Ana Paula.

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O projeto

A primeira versão do aplicativo, que será gratuito, será lançada no mês que vem, inicialmente na versão para Android.  O programa é um dos cinco finalistas do EU-Brazil Innovation Pitch 2019, seminário organizado pela Euraxess Brasil, Confap e Enrich in Brazil, em Brasília, e tem como objetivo fomentar a pesquisa e o desenvolvimento de soluções inovadoras para problemas sociais e recebeu mais de 80 projetos em sua edição brasileira.

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