Coronavírus: queda no preço das ações pode gerar concentração do capital de grandes empresas

Investimentos coronavírus

Em meio à crise do Covid-19, o preço baixo das ações com demanda ainda elevada, faz com que grandes fundos aumentem as fatias das empresas

A queda no preço das ações trouxe novos investidores de peso à estrutura acionária das grandes empresas, resultando em uma concentração de capital. De acordo com o saldo dos registros levados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), só em março 32 empresas passaram pelo aumento da participação de grandes fundos de investimento que já tinham posição ou chegada de novos acionistas com fatias superiores a 5% da empresa.

A porcentagem parece pouco, mas equivale a uma base de 10% de todo o mercado brasileiro, já que a bolsa do país tem 330 companhias listadas. Dessas companhias, apenas um terço tem liquidez representativa. A regulação da CVM determina que os investidores informem ao público quando alcançarem a fatia de pelo menos 5% nas empresas e atualize-os a cada 5% adicionais. Além disso, também devem comunicar quando reduzem esse patamar.

Na autarquia, os registros mostram que somente 21 empresas tiveram desconcentração da base, ou seja, quando grandes investidores vendem seus papéis na bolsa. O saldo, portanto, é de concentração do capital das empresas. Dentre as movimentações, a novidade do dia que chamou mais atenção foi a carioca Atmos ampliando sua posição na construtora MRV de 4,6% para nada menos que 10%.

Durante a pandemia, a Dynamo – uma das mais tradicionais gestoras fundamentalistas do país – também fez movimentos importantes, atingindo a participação de 5% ou pouco mais em Natura e Alpargatas. As escolhas, ambas no setor de consumo, denotam o entendimento de que, mesmo no segmento econômico aparentemente mais afetado pela crise da pandemia do novo coronavírus, pode haver oportunidades.

A Bradseg, holding de seguros da Bradesco, ampliou a posição no laboratório Fleury de 16,2% para 20,2%, o que levou até mesmo a uma revisão do acordo de acionistas, do qual participa. A Tarpon, que hoje é conduzida pela dupla José Carlos Reis de Magalhães e Pedro de Andrade Faria, elevou de 25,5% para 30,1% a fatia na Kepler Weber. A gestora iniciou timidamente com 5% no negócio em 2018 e mais recentemente acelerou as aquisições.

Todas essas casas têm potencial de ampliar o ativismo sobre as companhias. Especialmente no pós-crise da pandemia, a expectativa de especialistas é que as gestoras de recursos acompanharão muito de perto os investimentos, ampliando as cobranças e a atenção sobre as administrações das empresas.

Do lado das vendas, os movimentos mais marcantes foram da XP Asset que reduziu de 6,6% para 2,9% a participação na Via Varejo e de 7,22% (já chegou a ser 9%) para 4,7% a posição na Qualicorp. João Luiz Braga, sócio da XP responsável pela gestão das carteiras, falou nesta terça-feira em sua conta no Twitter que nesse momento não cabe mais concentração nas carteiras. Na opinião dele, com as quedas recentes no mercado, que aumentaram as ofertas de “ativos baratos” na bolsa, a hora é de diversificação. Ele contou que fez compras em ativos dolarizados como Vale e Suzano.

Mas também não passou despercebido pelo mercado que o badalada Alaska, tocado por uma das maiores celebridades do mercado no Twitter, o gestor Henrique Bredda, diminuiu de 5,15% para 3,96% a participações nas ações preferenciais da Braskem, e que a Mondrian, com sede londrina, encolheu para 4,98% a posição nas ações da Embraer, quase à metade da última posição conhecida.

A dança das cadeiras das gestoras mostra que, quem pode, está indo às compras. Todos os sinais até agora mostraram que o investidor brasileiro tem feito o que pode para evitar o efeito manada e que, na verdade, muitos estão se segurando para não exagerar nas compras.

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