A “terceira onda” tecnológica: como encarar o cenário

  • em 25 de março de 2019

Nos Estados Unidos, foi noticiado pelo The New York Times que diversas startups estavam sendo criadas para resolver a crise imobiliária que assola o país. Contudo, a notícia não foi muito bem recebida por especialistas. Steve Case, ex-CEO da AOL, teme que este movimento, a qual ele chama de “terceira onda”, ocasione problemas futuros para as startups e para o mercado.

A “terceira onda” é uma resposta para o movimento, criado a partir da contratação de startups com intuito de gerar grandes impactos sociais. Porém, para estes novos modelos de negócios funcionarem, é necessária atenção em toda fase regulamentar, pois pequenos erros podem significar grandes dores de cabeça para as startups.

Steve Case, ex-CEO da AOL. (Photo by Mike Windle/Getty Images for Vanity Fair)

Para ajudar as novas startups a sobreviverem a essa indústria, precisam ser trabalhadas duas tecnologias intimamente relacionadas – tecnologia legal (“LegalTech”) e tecnologia de regulação (“RegTech”) – para auxiliar as empresas a compreender as regras incorporadas em grandes textos, como contratos, leis ou regulamentações. Sem estes conceitos, as startups não terão força para se erguer durante a “terceira onda” e as grandes empresas com fortes poderes de capital irão se sobressair e dominar o cenário.

As leis estipuladas na regulamentação são criadas para mitigar os danos sociais que podem ser causados. Por isso, existem documentos gigantes, com mais de 30 mil páginas , que servem como base para evitar estes tipos de conflito social. Porém, algumas startups não possuem conhecimento, expertise e feeling para compreender a importância de estar alinhado com estes documentos.

Por isso, o conselho geral para as startups é: cuidado. Projetos de habitações pré-fabricadas não auditadas podem significar o uso de medidas de segurança inferiores e mortes de inquilinos durante um terremoto, por exemplo. A falta de supervisão em transações financeiras, pode, sem querer, facilitar a lavagem de dinheiro.

Para as startups, a ignorância não pode ser uma estratégia viável. Apenas nos últimos três anos, as fintechs norte-americanas sofreram mais de US $ 200 milhões (quase 5% do total investido em dólares no mesmo período) em multas regulamentares. Entre as multas, 50% delas foi envolvendo danos ao consumidor e 25% foram violações de privacidade.

A Zenefits, startup de softwares de RH, demitiu 17% de seus funcionários, incluindo seu CEO, depois de violar as leis de corretagem de seguros. O LendingClub, empresa de empréstimo peer-to-peer, pausou suas operações e cortou 10% da força de trabalho após violar leis de negociação.

A Uber é figura carimbada na lista de empresas que já sofreram com leis e regulamentações em diversos países. Fortemente conhecida pela estratégia “faça primeiro, peça perdão depois”, a empresa agora constrói uma relação com os órgãos regulamentadores nas cidades onde atua, a fim de evitar problemas futuros.

Este trabalho requer não apenas perseverança, mas também recursos extraordinários e muitas vezes caros. Grandes empresas, como a Uber, têm mais capital e pessoal para navegar em um cenário regulatório cada vez mais complexo. Por causa disso, eles estão na melhor posição para moldar o futuro e a “terceira onda”.

Os conceitos de LegalTech e RegTech podem mudar este cenário. As novas tecnologias usam desde análise de dados a ferramentas mais precisas para ajudar as empresas a navegar pelas regras incorporadas ao texto, como regulamentos e contratos.

Em um exemplo, a Fenergo, startup de soluções financeiras, transformou uma revisão do documento regulamentário do Know Your Customer (KYC), usando análise de texto e lógica de regras, acelerando o processo de leitura em 37%.

Por causa desse ambiente, os analistas estão otimistas sobre essas tecnologias. Em 2018, quase US $ 1 bilhão foi investido em LegalTech. Estima-se que o gasto com a retificação financeira apenas suba de US $ 10 bilhões em 2017 para US $ 76 bilhões em 2022 (um aumento de 700% em cinco anos). Para comparação, estima-se que os gastos com a economia compartilhada aumentem de US $ 18 bilhões em 2017 para US $ 40 bilhões em 2022.

Na “terceira onda”, as empresas não podem – e não devem – evitar suas responsabilidades regulatórias e sociais. Se os escândalos do Uber e do Facebook são exemplos claros disso, quando uma empresa viola leis ou perde sua integridade, o público e o mercado de ações respondem em espécie. Notícias sobre violações e práticas antiéticas capturam a atenção do público e a resposta vem como perda de credibilidade.

Abraçando LegalTech e RegTech, as startups podem plantar vantagens competitivas a longo prazo, sem preocupações com um futuro burocrático impedindo o crescimento do negócio. A adoção de tecnologia que automatiza a proteção de dados, por exemplo, pode criar melhores experiências para os clientes . Ao analisar com segurança mais dados, até mesmo empresas menores podem gerar insights e criar programas que agregam valor aos clientes.

A tecnologia pode capacitar empresas grandes e pequenas a adotarem a mitigação de danos sociais e a promoção de impacto positivo. E a nossa dica é que os founders e executivos fiquem atentos a essas novidades de mercado e absorvam o máximo possível para fomentar o seu próprio negócio.

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