A importância da diversidade para uma startup Unicórnio

Muito tem se falado na importância da diversidade no meio empresarial, mas o quanto as empresas investem efetivamente em alcançar ambientes mais saudáveis e inclusivos? Sarah McMillian, líder de vendas na Temboo, escreveu um artigo para a TechCrunch que evidência o longo caminho que ainda precisa ser percorrido para se chegar ao cenário ideal.

No texto ela relata, por meio de suas vivências, como os espaços ainda são pouco inclusivos. Além disso, exemplifica uma situação que viu durante a graduação, cursada no MIT, uma das instituições de maior renome no cenário mundial, quando o assunto é tecnologia.

Na ocasião, a definiram por meio do estereótipo de mulher negra raivosa. “Durante meu último ano, eu estava trabalhando em um time com 21 estudantes, visando desenvolver um novo dispositivo médico. As avaliações dos meus colegas determinariam parte da minha nota, o que me preocupava. Eu temia que o feedback de alguns dos meus colegas fosse baseado no preconceito contra mulheres negras. Eu me senti pressionada para ser percebida como inteligente, mas não intimidadora. Confiante, mas não agressiva. (…) Apesar de ter recebido avaliações positivas, não apenas um, mas dois dos meus colegas recomendaram que eu fosse menos agressiva”, conta.

Depois desse fato, a estudante se sentiu desencorajada. Mas, ao ouvir de alguns de seus colegas negros, percebeu que poderia ter sido ainda pior…. Segundo ela: “havíamos sido excluídos das reuniões dos grupos e recebemos a maior parte das tarefas menores.”

A procura por uma startup Unicórnio:

Depois da graduação e de algumas experiências de trabalho não muito positivas, ela decidiu procurar uma startups Unicórnio, que fosse diversificada e inclusiva. “Encontrar uma Unicórnio não era fácil. Minha pesquisa no Google encontrou várias startups avaliadas em mais de um bilhão. Poucas delas eram diversas ou inclusivas” aponta Sarah.

A Temboo, em Nova Iorque, chamou a atenção da profissional por ser uma empresa liderada por uma mulher negra, conter uma equipe de engenharia com número igual de homens e mulheres e por ter um produto focado na acessibilidade de democratização da programação.

“Quando eu tomei a decisão de me juntar ao time, eu estava esperançosa. Talvez esse seria o lugar onde eu poderia ser apreciada e respeitada por ser eu mesma. E com o tempo eu me desvencilhei das lições aprendidas em outras experiências quando eu tinha que formular uma versão aceitável de mim para os meus colegas. Na Temboo, eu entendi que Sarah é suficiente. Meu cabelo crespo poderia ser trançado ou usado natural, em um afro, sem que isso mudasse a percepção das pessoas sobre minha inteligência. Eu poderia criticar abertamente a falta de diversidade em uma conferência industrial de IoT, e ouvir concordância dos meus colegas,” depõe Sarah, que está feliz de ter encontrado sua Unicórnio e, agora, quer ajudar as pessoas que trabalham com tecnologia a encontrarem seus espaços no mercado de trabalho.

Motivos para investir em diversidade:

Vamos falar em números: “Companhias diversas e inclusivas tem melhor retenção e desempenho financeiro. É o que aponta a McKinsey (líder mundial no mercado de consultoria empresarial) ao examinar a relação entre diversidade e liderança/performance financeira empresarial. Entre 2014 e 2017, empresas que estavam a frente em diversidade de gênero, tinham de 15 a 21% maior probabilidade de possuir rentabilidade acima da média, em comparação a outras. Para companhias com diversidade étnica e cultural, esse percentual era ainda maior, de 33 a 35%”, explica Sarah.

Além disso, Sarah aponta que comportamentos injustos como estereotipar as pessoas com base em preconceitos e a recorrência de micro agressões, são a primeira razão pelas quais os empregados deixam as empresas tech, segundo o Kapor Center.

O primeiro passo

 “Um ambiente inclusivo começa com os indivíduos. Dos gerentes aos empregados em cargos júnior, todos precisam continuamente repensar, desaprender e reaprender. É preciso repensar preconceitos pessoais, e desaprender hábitos de discriminação. (…) As companhias ajudam a acabar com a discriminação em seu ambiente de trabalho ao sinalizar intolerância e atitudes como essa”, finaliza.

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